O TCU levou a público duas decisões sobre a crise financeira dos Correios nesta quarta-feira (27.mai.2026). A empresa acumula patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e terminou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Para manter as atividades, o grupo recorreu a um empréstimo de R$ 12 bilhões, com o governo federal como fiador.
O tribunal avaliou o plano de recuperação e a atuação dos ministérios que autorizaram o empréstimo bilionário sem uma verificação rigorosa dos riscos. Constatou falhas no desenho do socorro e na governança pública envolvida no crédito.
Plano de recuperação considerado frágil
Ao analisar a estratégia para 2025 a 2027, o TCU apontou que o plano de socorro usa previsões pouco confiáveis e dados financeiros inconsistentes. Apenas cinco das trinta ações tiveram impacto financeiro estimado; metas de corte de despesas falharam no início.
A demissão voluntária teve 3.748 adesões, bem abaixo da meta de 10.000 desligamentos. A venda de imóveis para reforçar caixa também avançou lentamente, longe da meta de R$ 1,5 bilhão.
Exigência de aporte público e responsabilização
A Corte determinou que ministérios da Fazenda e das Comunicações, Casa Civil, Secretaria de Governo das Estatais e Tesouro apresentem regras para que o governo injete pelo menos R$ 6 bilhões nos Correios até 2027. Sem isso, bancos poderiam cobrar a dívida de R$ 12 bilhões de uma só vez.
Os Correios devem apresentar relatórios trimestrais com resultados detalhados. O TCU autorizou abertura de investigação para apurar possíveis responsabilizações dos gestores pelo colapso financeiro.
Omissão estatal e fiscalização
Na segunda linha de análise, o tribunal constatou atraso e falhas na fiscalização dos órgãos federais. As contas já vinham negativas desde o fim de 2023, mas houve aceitação de ser fiador sem avaliação técnica independente.
O Ministério das Comunicações foi considerado falho ao aprovar o plano, aceitando números fornecidos pela própria direção, sem auditoria externa. O Tesouro Nacional também foi criticado por critérios brandos na garantia.
A partir das constatações, o TCU notificou irregularidades aos ministérios e recomendou mudanças nas regras para a garantia de empréstimos a estatais, com exigência de auditorias independentes antes de qualquer garantia.
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