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Acordo EUA-Irã na mesa; Ibovespa cai e analistas discutem impacto

Memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã para estender cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz não convence o mercado brasileiro, que recua

O acordo entre EUA e Irã enfim está na mesa. Então por que o Ibovespa caiu?
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O acordo entre EUA e Irã, anunciado como passo relevante para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz, não confirmou ainda efeitos práticos nos mercados. O memorando, com prazo e termos definidos, ainda depende de aprovações políticas. O Ibovespa recuou nesta quinta-feira.

O ambiente doméstico segue marcado pela cautela. Dados do Caged apontaram criação de vagas inferior ao esperado em abril, com desemprego em 5,8%. A combinação de inflação elevada e juros persistentes influencia o sentimento dos investidores. O câmbio ganhou fôlego com o dólar em queda.

Acordo e reação de mercados

O Ibovespa fechou em queda de 0,4%, aos 175 mil pontos. O giro financeiro ficou em R$ 15,6 bilhões, 14% abaixo da média. O mercado avaliou o anúncio, mas manteve cautela quanto à sua implementação prática.

A percepção externa diverge. Wall Street atingiu novas máximas, impulsionada por ativos ligados a IA. Enquanto isso, o petróleo seguiu próximo ao teto de curto prazo, pressionando custos para importadores e gerando dúvidas sobre impactos inflacionários no curto prazo.

Cenário de energia e política monetária

O Brent recuou para perto de US$ 93 o barril, ajudando a conter pressões de energia para a inflação global. No Brasil, esse movimento diminui, mas não elimina, o risco de revisões de lucros, sobretudo para Petrobrás, que tem peso relevante no Ibovespa.

Os juros brasileiros permanecem elevados diante da postura do Banco Central. Expectativas de alta do Fed fortalecem a visão de margem de manobra restrita para o BC, limitando cortes futuros e influenciando o apetite por ações de consumo.

Panorama doméstico e externo

A inflação americana manteve alta pelo núcleo de preços, conforme o PCE de abril. O PIB dos EUA foi revisado para baixo no primeiro trimestre. Tais dados reforçam o cenário de desaceleração com inflação resistente, pressionando decisões macro globais.

No Brasil, a taxa Selic continua no radar dos investidores, que monitoram impactos de uma possível desaceleração econômica sobre consumo e lucros corporativos. O mercado busca clareza sobre a velocidade de juros e câmbio.

Perspectivas e riscos

Caso o acordo entre Washington e Teerã seja confirmado, pode haver alívio nos preços de energia, mas não há garantia de retorno imediato aos patamares anteriores. A volatilidade permanece elevada e as perspectivas futuras dependem de próximos desmentidos ou confirmações.

A trajetória do Ibovespa depende tanto de fatores externos — como políticas do Federal Reserve e preço do petróleo — quanto de indicadores domésticos, incluindo inflação, emprego e consumo. O momento exige cautela na leitura de sinais de política econômica.

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