O Itaú BBA mantém recomendação de compra para a Cyrela (CYRE3) e revisa o preço-alvo de R$ 37 para R$ 33, apontando queda, mas ainda há potencial de valorização de cerca de 45% frente ao fechamento de ontem. A avaliação foi divulgada hoje, em meio a cenários de juros altos e crédito mais caro.
Segundo o banco, o ajuste reflete desafios maiores para lançamentos de imóveis de alta renda e premissas macroeconômicas mais conservadoras. No entanto, parte relevante desses riscos já estaria precificada nas ações da Cyrela, segundo o relatório.
Desde o início da cobertura, em outubro do ano passado, o Itaú BBA aponta maior risco de competição no setor de alto padrão em São Paulo, com estoques elevados e desaceleração das vendas. A relação venda/oferta ficou entre 15% e 18%, abaixo de 25% observados em 2023/2024.
Perspectivas e riscos
Apesar da demanda mais fraca no curto prazo, o banco projeta recuperação gradual dos resultados ao longo de 2026, com lucro líquido próximo de R$ 1,9 bilhão e ROE de 17%. A recomendação continua embasada na atuação nos segmentos de alta e baixa renda.
A Cyrela tem cerca de R$ 15 bilhões em estoque no nicho de alta renda, equivalente a 14 meses de vendas. Grande parte está em empreendimentos de grande porte nos bairros Morumbi, Jardim Guedala e Pinheiros, em São Paulo, com menor saturação de mercado.
A atuação da Vivaz, linha de baixa renda, é destacada pelo Itaú BBA como importante: a previsão é de que responda por cerca de 40% dos lançamentos em 2026 e entre 20% e 25% do lucro da companhia.
O banco reconhece o aumento de custos de construção como risco, especialmente nos projetos de baixa renda. Por outro lado, a Cyrela possui recebíveis corrigidos pelo INCC no segmento de alta renda, o que ajuda a compensar parte da pressão inflacionária sobre custos.
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