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PIB forte em país com juros elevados há anos surpreende analistas

PIB avança 1,1% no primeiro trimestre, puxado pelo consumo; juros elevados e falta de reformas colocam o crescimento sob pressão

Sede do Banco Central, em Brasília
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A economia brasileira teve início de ano com ritmo acima do esperado. O PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 ante o quarto trimestre de 2025, segundo dados do IBGE. O ganho veio principalmente do consumo e da produção agrícola e industrial.

No lado da demanda, o consumo das famílias e do governo teve expansão. Gastos puxados pela isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil contribuíram para liberar renda. Programas de renegociação de dívidas também influenciaram o cenário de crédito ao consumidor.

A taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre móvel encerrado em abril, sinalizando força no mercado de trabalho. Mesmo com o resultado positivo, especialistas veem o crescimento como possivelmente contido nos próximos trimestres, diante de juros elevados e incertezas externas.

Drivers e limitações

A continuidade do estímulo ao consumo vem acompanhada de aumento do endividamento público. Medidas para facilitar crédito e renegociação de dívidas aparecem como fatores de impulso, mas não criam bases estruturais para expansão sustentável.

Além disso, a política monetária segue apertada. A taxa Selic permanece em dois dígitos e a projeção para o fim deste ano aponta para patamar próximo de 13%. Isso reduz o espaço para impulsos adicionais sem relação com reformas.

No radar, o governo busca manter a recuperação associada a números positivos do PIB, mesmo com desafios de capitalização de investimentos e volatilidade externa. A leitura comum é de cautela quanto à continuidade do crescimento em 2026.

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