A produção de biochar, obtido a partir de resíduos agrícolas como cascas de arroz, de café e bagaço de cana, avança no Brasil com apoio público voltado à descarbonização e recuperação ambiental. Dados do MDIC indicam que o setor já recebeu 237 milhões de reais em investimentos.
Segundo o MDIC, a cadeia deve atrair mais 367 milhões até 2028, com a expansão de fábricas e projetos agrícolas. A tecnologia é vista como estratégica para a bioeconomia, a indústria verde e a geração de créditos de carbono, ampliando linhas de financiamento públicas e privadas.
A participação de instituições como BNDES, Finep, Fundação Cargill e Fapemig tem sido relevante para impulsionar as iniciativas. A tendência aponta para maior captação de recursos e maior integração entre pesquisa, produção e aplicação rural.
RS vira piloto pós-enchentes
O Rio Grande do Sul tornou-se foco de uso do biochar após as enchentes de 2024. O MDIC e a Embrapa trabalham em um projeto piloto em São Lourenço do Sul para recuperação de áreas degradadas a partir da casca de arroz. A iniciativa pode beneficiar até 1.250 agricultores familiares gaúchos.
A previsão é que o programa ajude produtores a restaurar terras afetadas por erosão e alagamentos, fortalecendo práticas de manejo e de recuperação de solos. A participação local envolve famílias da agricultura familiar e organizações rurais.
Expansão
A empresa francesa NetZero opera hoje quatro plantas de biochar no Brasil, com foco na cafeicultura, três em Minas Gerais e uma no Espírito Santo. A capacidade instalada é de 16 mil toneladas por ano. A companhia captou 18 milhões de euros de um fundo europeu para acelerar a expansão.
Em Campina Verde (MG), a unidade em desenvolvimento processa resíduos da cana, com aportes entre 10 e 15 milhões de reais. Projetos em Goiás e no Rio Grande do Sul preveem aportes de 40 e 45 milhões de reais, respectivamente.
Sempre no prato
Uma pesquisa da Worldpanel by Numerator, encomendada pela Abiarroz, aponta o arroz entre os alimentos mais consumidos no Brasil, presente em 91,1% dos lares. Entre 2024 e 2025, apareceu em 21,7 bilhões de refeições.
O estudo mostra mudanças de hábitos, com praticidade e conveniência crescendo entre os motivadores de consumo, e prazer valorizado em 5,9%. Renato Franzner, presidente da Abiarroz, afirma que o arroz continua presente, com valorização de atributos nutricionais.
O levantamento também aponta expansão da campanha Arroz Combina, com alcance superior a 12 milhões de pessoas desde outubro de 2025. A pesquisa registra aumento de 11,3% no consumo em marmitas, totalizando cerca de 600 milhões de refeições anuais.
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