Nubank teve forte pressão de ações em 2026, influenciado pela piora na qualidade do crédito e por mudanças estratégicas. O foco do mercado ficou ainda mais intenso com a troca de CFO e com expectativas de expansão global. O período mostra custos de risco em alta e margens sob tensão.
Analistas destacam que o crescimento da carteira de crédito tem peso sobre as margens, com provisões elevadas no primeiro trimestre. O portfólio de empréstimos e cartões subiu 40% no trimestre, atingindo US$ 37,2 bilhões.
O movimento de mercado ocorreu em meio à busca pela escala global do banco, que já contratou executivos para CTO e CMO. A mudança de CFO ganhou atenção e gerou volatilidade nas ações, que recuaram na NYSE.
Troca de CFO e impactos no curto prazo
Guilherme Lago deixará o Nubank e será substituído por Rob Livingston, vindo da Visa, a partir de 13 de julho. A chegada busca ampliar atuação internacional, incluindo México, Colômbia e EUA.
Para o BofA, a transição aumenta a incerteza em um momento de concessão de crédito desafiadora no Brasil. A instituição manteve recomendação neutra, com o preço-alvo reduzido para US$ 10.
O Citi revisou o preço-alvo de US$ 22 para US$ 18, mantendo recomendação de compra, citando foco no crescimento da receita financeira e a pressão sobre o custo do risco.
O BTG Pactual reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 21, apontando que a melhoria da qualidade de ativos deve ocorrer nos próximos trimestres.
Qualidade de crédito e resultados
Analistas sugerem que o Nubank precisa de dois a três trimestres de melhoria na qualidade de ativos para reconquistar credibilidade. Caso haja deterioração, o interesse dos investidores pode favorecer o abandono de posições.
O banco também informou que criará o cargo de CFO para a operação brasileira, mantendo Lago como conselheiro da diretoria executiva. O objetivo é reduzir a percepção de risco com ações locais.
Em termos globais, a empresa mantém o desafio de equilibrar expansão com controle de risco, em meio a juros altos, inflação e cenários macroeconômicos distintos entre Brasil, México e EUA.
Atualmente, o Nubank é a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes, com 112 milhões, evidenciando o peso estratégico da operação doméstica diante das ambições internacionais.
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