Nova tarifa dos EUA contra o Brasil é vista por economistas como inevitável, com base em avaliação de que o tema é pretexto para impor tarifas. Washington mira o Pix e outras áreas para favorecer empresas americanas, segundo analistas.
O Pix aparece entre as prioridades apontadas pelos EUA. O governo norte-americano sustenta que o serviço é gratuito para pessoas físicas e tem o Banco Central atuando como operador, colocando Mastercard e Visa em posição desfavorável. Há críticas a regras que favorecem o uso do sistema.
Além do Pix, o relatório usa como justificativas questões como desmatamento, pirataria, redes sociais e corrupção. A possibilidade de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados é citada como cenário possível, com impacto estimado em até US$ 10 bilhões.
Perspectivas sobre o Pix
Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, mudanças no Pix são improváveis. Ele afirma que a instituição já está enraizada na economia brasileira e que ajustes estruturais são improváveis. Segundo Vale, o Pix expandiu serviços de pagamento e impactou receitas de TED e DOC.
Roberto Dumas, professor do Insper, enxerga o Pix como instrumento de pressão de grandes operadoras de cartões. Ele afirma que a inclusão do sistema na lista de questionamentos funciona mais como moeda de negociação do que como alvo real de mudanças.
Tom das decisões nos EUA
Ambos os economistas concordam que a tarifa parece decidida, independentemente das justificativas. Vale avalia que as exigências americanas são difíceis de atender no prazo. Ele sugere que a lista de questionamentos já sinaliza a decisão de impor tarifas.
Dumas reforça que temas como Pix, desmatamento e pirataria podem sustentar uma decisão já tomada, vendo o Pix como peça de pressão em linha com a estratégia do governo americano.
Contornos políticos no Brasil
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou sobre efeitos indiretos de sanções sobre o Pix e maior custo de conformidade para instituições financeiras. Durigan afirma que não se pode aceitar pressão indevida ou intimidação.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, criticou a posição americana, dizendo que o Pix não pode se tornar instrumento para cobrança de altas taxas. Hoffmann reforçou que o Pix é recurso brasileiro.
A Seção 301
O Escritório do Representante Comercial dos EUA indicou, em relatório preliminar da Seção 301, que o Brasil adota práticas prejudiciais a empresas americanas de meios de pagamento. A conclusão abre novo foco de pressão nas negociações entre os dois países, com base na legislação de 1974.
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