A OpenAI, criadora do ChatGPT, e a Anthropic, responsável pelo Claude, estão em rota de colisão rumo a Wall Street. Em maio, a CNBC informou que a OpenAI deve protocolar seu S-1 confidencial na SEC, com Goldman Sachs e Morgan Stanley à frente, mirando estreia em setembro. Dez dias depois, a Anthropic recebeu o mesmo tratamento, buscando estreia ainda neste ano, com foco em outubro.
Pelo menos em tese, as duas empresas devem abrir suas finanças ao escrutínio público quase simultaneamente. Segundo analista, a corrida para o IPO ocorre em função do ambiente de capital disponível, que tende a se reduzir com o tempo, aumentando a urgência de captação.
Dois modelos de negócio, dois perfis de risco
A OpenAI encerrou o primeiro trimestre de 2026 com cerca de 5,7 bilhões de dólares em receita, enquanto a empresa previa receita anualizada de 25 bilhões. O ChatGPT atingiu 900 milhões de usuários ativos semanais em março, marcando uma base de clientes sem precedentes no setor, ainda que registre perdas significativas.
Em contrapartida, a Anthropic tem maioria de receita vinda de clientes corporativos, o que explica seu crescimento acelerado: 9 bilhões de dólares em 2025, 30 bilhões em abril e 47 bilhões em maio. Projeções para o segundo trimestre indicam receita de 10,9 bilhões, com lucro operacional á posição de equilíbrio, algo inédito para a empresa.
O que está em jogo com as projeções
A OpenAI apresenta margem operacional negativa no trimestre inicial, com bases contábeis que excluem itens de compensação, o que pode subestimar perdas reais. O crescimento de usuários, por sua vez, parece ter arrefecido frente ao pico recente.
Para a Anthropic, há questionamentos sobre a sustentabilidade de lucros operacionais projetados, já que parte do ganho viria de descontos em contratos de infraestrutura. A empresa sustenta que o ritmo de crescimento e a base de clientes estão mudando gradualmente.
O que o mercado observa a seguir
Analistas argumentam que a comparação entre os modelos é crucial: OpenAI mira consumo amplo e escalável, com perdas de curto prazo, enquanto Anthropic foca em margens por meio de contratos corporativos. O que o S-1 revelará é se o crescimento de receita sustenta os múltiplos, e se os gastos com infraestrutura são investimentos ou gargalos de caixa.
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