O silêncio não é neutro. Nesta semana, o CV e o PCC passaram a constar como Terroristas Globais Especialmente Designados pela Justiça dos EUA. A mudança não é apenas política: afeta o acesso a dólares e o funcionamento de bancos brasileiros.
A designação FTO entra em vigor em 5 de junho, após aviso ao Congresso. O efeito direto é regulatório: bancos que operam em dólar passam a enfrentar risco elevado de punição se facilitarem suporte a essas organizações.
O PCC já estava sob supervisão do OFAC desde 2021, por narcotráfico. A novidade é o aumento do nível de risco e a possibilidade de responsabilização criminal por transações que financiem organizações designadas.
A prioridade para o sistema financeiro brasileiro é entender o novo regime de risco. Não basta identificar crimes; é necessário avaliar o que significa apoio material e como isso impacta operações com pares no exterior.
Contexto e impactos
Em agosto de 2025, o FinCEN atuou contra três bancos mexicanos por vínculos com cartéis FTO, suspendendo o acesso ao sistema de pagamentos em dólar. O efeito real foi a interrupção de operações de comércio exterior.
Para bancos com correspondentes em Nova York, perder o acesso ao dólar pode significar inviabilidade operacional. A pressão não é reputacional: é uma sentença prática de acesso ao dinheiro.
A partir de 5 de junho, o perfil de risco sobe aos olhos de bancos americanos. ERROS podem deixar instituições sem meios de pagamento internacionais, mesmo sem culpa direta.
Medidas recomendadas
Primeiro, revisar a exposição interna, especialmente em intermediários e relações com bancos menores. Auditoria externa de KYC, transações e sanções, com visão independente.
Segundo, remediar rapidamente. Limitar acesso a contas suspeitas e desligar clientes de risco identificados na revisão, sem esperar o próximo comitê.
Terceiro, alinhar a comunicação externa. Conversar com correspondentes nos EUA para entender o novo apetite de risco e incorporar isso ao plano de remediação.
Ponto crítico
É essencial manter o posicionamento público de combate a fluxos ilícitos. O silêncio pode ser interpretado como uma falha de compreensão da mudança regulatória globais.
A designação de 5 de junho não pergunta se o banco concorda. Pergunta se ele está pronto para continuar operando na banca internacional no dia seguinte.
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