O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central alertou sobre o alto endividamento e o comprometimento de renda das famílias brasileiras. A ata, publicada nesta quarta-feira, aponta cautela e diligência na oferta de novos empréstimos diante do cenário atual.
Em março, o endividamento chegou a 49,8% da renda disponível, quase atingindo o recorde de 49,9% registrado em fevereiro de 2026 e julho de 2022. A média histórica começa em 2005, segundo o BC.
O comprometimento de renda ficou em 29,3%, refletindo o peso de modalidades de crédito mais caras. As carteiras de maior risco continuam crescendo acima das de baixo risco, mesmo com a desaceleração do crédito bancário desde março.
A ata também cita a complexidade de fundos de investimento com várias camadas, o que dificulta mapear perdas. Ainda assim, o ACCP Brazil permanece em 0%, visto que o SFN é considerado resiliente e capaz de absorver choques de cenário.
No plano externo, o BC aponta cautela diante de conflitos no Oriente Médio e dos efeitos da inteligência artificial sobre a inflação global. A monitorização de riscos permanece constante.
Para enfrentar o superendividamento, o governo relançou o Desenrola Brasil, programa que já soma 1,4 milhão de operações com juros de 1,99% ao mês. A média de descontos concedidos pelo programa está em 85%, segundo o Ministério da Fazenda.
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