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Fed: inflação nos EUA eleva custos das empresas e aumenta incertezas

Fed Beige Book aponta inflação elevada, consumo fraco e margens pressionadas, sinalizando queda de lucros no segundo trimestre e possível alta de juros

Livro Bege — Foto: Getty Images
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O Livro Bege do Federal Reserve (Fed), principal termômetro da economia dos EUA, foi divulgado nesta quarta-feira, 3. O documento aponta inflação mais alta e consumo com sinais de enfraquecimento, pressionando margens de lucro das empresas. A leitura sugere duas consequências para investidores: menor retorno de dividendos no segundo trimestre e possibilidade de alta de juros.

A pesquisa evidencia que a maioria da economia avançou de forma leve ou moderada, com um único distrito apresentando queda ou estabilidade. A atividade industrial avançou em boa parte do país, mas o humor entre empresários foi classificado como misto, com adiamento de investimentos por incertezas. A demanda por espaços para data centers segue aquecida.

Perspectivas e impactos

A inflação teve impulso principal vindo de custos de energia, desencadeados pelo conflito no Oriente Médio. Logística e cadeias de suprimento também foram citadas como fatores que elevam preços. Entre os respondentes, há impactos setoriais na formação de custos de produção.

O consumo foi desigual entre faixas de renda. Famílias de alta renda resistiram mais aos impactos da inflação, enquanto a classe média teve menor folga financeira. Já os domicílios de menor renda restringiram gastos com maior rigor, conforme o Fed.

A compressão de margens foi tema comum entre distritos, com insumos subindo mais rápido que os preços de venda. O emprego quase não variou em onze distritos, em um cenário de contratação estável e trabalhadores mais reticentes a mudar de posição.

Setores e dinâmica regional

A atividade industrial mostrou variação entre distritos, com nove apresentando ritmo moderado a forte, e apenas um com queda leve. Destaques positivos ficaram com data centers e defesa, atuando de forma mais constante.

Mercados imobiliário e financeiro apresentaram tendências distintas. Imóveis residenciais recuaram ou ficaram estáveis em várias regiões, pressionados por hipotecas mais altas. Imóveis comerciais tiveram desempenho misto, com demanda forte por espaços classe A voltados a escritórios e data centers, enquanto o setor industrial sofreu com frete alto.

O sistema bancário manteve-se estável na maior parte das regiões, mas houve aumento inicial da inadimplência em crédito imobiliário residencial, crédito ao consumidor e crédito agrícola em alguns distritos. A agricultura mostrou piora generalizada devido a custos de combustível e fertilizantes.

As projeções para os próximos seis meses não indicam mudança significativa no ritmo de crescimento, refletindo o ambiente de elevada incerteza.

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