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Lei do Gás: cinco anos de avanços que não podem esperar

Lei do Gás completa cinco anos em meio a reajustes de preço e desafios: isonomia competitiva, planejamento integrado, modicidade tarifária e transição energética

Boas leis não são estáticas, precisam acompanhar a realidade dos mercados que regulam, diz o articulista
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No final de abril, o Brasil celebrou cinco anos da Nova Lei do Gás, marco regulatório que abriu o setor e estimulou a competição. Ao mesmo tempo, a Petrobras anunciou reajuste de 19,2% no custo do gás natural, influenciado por conflitos internacionais e pela dependência a indexadores como o Brent.

O desempenho do mercado mostra avanços, mas também fragilidades. O segmento de distribuição canalizada investiu, até 2025, mais de 1,2 bilhão de reais em tecnologia e expansão de rede, atingindo cerca de 47 mil quilômetros de rede, conectando mais de 500 municípios e atendendo em torno de 5 milhões de consumidores.

Mais da metade do gás distribuído já está no mercado livre, com contratos variados. Em 2025, o setor industrial retomou o crescimento, sinalizando que a abertura competitiva começa a impactar a demanda. O cenário permanece sensível a variações internacionais de preço.

O senador Laércio Oliveira, principal articulador da lei, reconhece a necessidade de atualização regulatória. Boas leis não são estáticas e precisam acompanhar a realidade do mercado brasileiro de gás natural em 2026, com respostas que a legislação original não previa.

Desafios a enfrentar

  • Isonomia competitiva: o gás natural concorre com GLP e diesel, mas subsídios a combustíveis distorcem a competição. A isonomia é vista como condição essencial para reduzir custos setoriais.
  • Planejamento integrado: desalinhamentos entre gás, geração elétrica e políticas industriais geram custos e sinais inconsistentes para investimentos. O gás é visto como insumo estratégico para indústria e energia, exigindo alinhamento sistêmico.
  • Modicidade tarifária: a revisão das tarifas das transportadoras pela ANP envolve regulação rigorosa. Remuneração sobre ativos não amortizados evita dupla remuneração e impacto indevido no preço ao consumidor.
  • Integração com a transição energética: o país depende de diesel importado em quase 30% para transporte. Gás canalizado e biometano aparecem como opções mais limpas, com potencial para descarbonização e segurança energética, desde que bem aproveitados.

A agenda passa pela articulação entre Legislativo, regulatório e governo, para ampliar a resiliência do setor a choques globais. O objetivo é beneficiar indústria, distribuidoras, transportadoras, produtores independentes e, sobretudo, a sociedade brasileira.

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