Despesas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros nos EUA podem reduzir as exportações do Brasil entre US$ 2,3 bilhões e US$ 4,1 bilhões, caso a sobretaxa seja confirmada. O governo projeta que cerca de 21% do que o país vende aos EUA ficaria sujeito à nova tarifa, elevando a tarifa média a 18,5%.
Especialistas avaliam que parte das vendas pode migrar para a China e a União Europeia, reduzindo o impacto direto sobre o PIB. A hipótese ganha força diante de negociações difíceis com o mercado americano, segundo analistas do setor.
A Farsul prevê maior queda, com impacto de US$ 4,12 bilhões nas exportações nacionais. Já a XP Macro Research aponta perdas entre US$ 2,35 bilhões e US$ 2,37 bilhões, com 25% do total exportado aos EUA atingido pela tarifa.
Impacto por cenário
A MB Associados projeta uma perda de US$ 2,52 bilhões, considerando US$ 10,1 bilhões em exportações expostas à alíquota. A sobretaxa elevaria a contribuição média de tarifas sobre as exportações brasileiras para 18,5%.
A estimativa de queda já considera setores com maior exposição, como máquinas pesadas, equipamentos elétricos e madeira. A MB Associados aponta máquinas pesadas, madeira e transformadores elétricos entre os maiores impactos.
O comércio com os EUA já registrava recuo antes do anúncio, com a indústria de transformação em queda. Em 2025, os EUA absorveram 23% das máquinas e equipamentos vendidos pelo Brasil, conforme a CNI, com redução de 4,2% ante 2024.
Nove dos 15 principais setores industriais enfrentaram quedas de venda aos EUA no ano passado, destacando metal, madeira, celulose e veículos automotores como os mais afetados.
Diversificação de mercados
A possível restrição americana força o Brasil a buscar novos mercados. Economistas destacam a China como destinatário natural para commodities, enquanto a União Europeia surge como alternativa para itens de maior valor agregado.
Especialistas ressaltam que, embora a China apresente oportunidades, a reposição para produtos de maior valor agregado é mais desafiadora devido à competição com fornecedores já consolidados no mercado chinês. A União Europeia é citada como caminho para ampliar destinos industriais.
Especialistas alertam ainda que o consumidor final americano pode pagar mais caro pelos produtos brasileiros importados, após repasses de preço por parte das exportadoras. A inflação nos EUA também pode ser pressionada por medidas protecionistas.
Volume de isenções
Uma parte relevante das exportações fica de fora da nova cobrança, dependendo de acordos e exceções. Estimativas variam: a XP aponta US$ 28,3 bilhões em vendas isentas, enquanto a MB Associados eleva a faixa para US$ 21,2 bilhões de isenções. Esses números reduzem o efeito direto sobre o país.
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