O BNP Paribas revisou seu cenário para o Federal Reserve e passou a prever três altas de juros a partir de dezembro deste ano, revertendo a postura de precaução adotada pelo banco central no fim de 2024. A leitura mais forte do payroll de maio foi o gatilho da mudança de posição.
O relatório utilizado pelo banco leva em conta a criação de 172 mil empregos nos EUA em maio, acima do consenso de 80 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,3%. Segundo o BNP, o Fed deverá encerrar os três cortes de juros de 2025 em sequência, para reduzir o estímulo monetário, conter a inflação e manter a taxa de desemprego em patamar baixo.
O BNP Paribas já era considerado entre as perspectivas mais hawkish do mercado antes do conflito no Irã, mantendo, desde janeiro, a expectativa de que a pausa nas altas permaneça ao longo de 2026. O cenário-base do banco mostra um viés mais conservador do que a curva de mercados.
Cenário de juros e inferências
Após o payroll, os futuros de Fed funds indicam probabilidade de alta de 71,1% até o fim do ano, com apostas majoritárias para dois aumentos até julho do próximo ano, conforme o levantamento do CME Group.
Para o BNP, o principal argumento para novas altas é a avaliação de que a postura monetária está descalibrada, com a inflação hoje próxima de 4%, bem acima da meta de 2%. O banco afirma que a política monetária está mais estimulante do que o esperado e a economia demonstra estabilidade.
A instituição projeta uma recuperação gradual do mercado de trabalho ao longo do ano, com a taxa de desemprego em torno de 4% ao fim do período. A inflação, porém, deve permanecer acima de 2% por grande parte do ano, indicando um problema persistente de preços nos EUA.
Riscos e leitura de cenário
O BNP aponta riscos externos, como movimentos de alta do Fed e o efeito da guerra no Irã sobre as condições financeiras. O banco mantém uma visão favorável a um crescimento moderado da atividade econômica norte-americana devido a estímulos fiscais e monetários.
Este conteúdo foi publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor Econômico.
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