O sistema elétrico brasileiro enfrenta desequilíbrio crescente por decisões de curto prazo e pressão de interesses setoriais, em detrimento de um planejamento de longo prazo. Estima-se que quase R$ 1 trilhão em custos adicionais já tenha sido criado e poderá ser repassado às tarifas até 2050.
O cálculo envolve o Leilão de Reserva de Capacidade, o LRCap, que soava como ferramenta para estabilizar o sistema. Além disso, o Congresso aprovou despesas extras ligadas a eólicas offshore e prorrogações de incentivos a fontes renováveis.
O Ministério de Minas e Energia questiona a metodologia, dizendo que benefícios não foram contabilizados. Mesmo com ressalvas, o quadro aponta para pressões por aumento de custos de energia para consumidores e indústria.
Contexto energético e custos
A Conta de Desenvolvimento Energético, fundo que subsidia políticas do setor, chegou a cerca de R$ 50 bilhões no ano passado. O impacto direto é sentido pelo consumidor residencial e pela competitividade da indústria brasileira.
O aumento ocorre em meio a uma escalada da geração solar distribuída, que já soma mais de 60 GW, majoritariamente em unidades de pequeno porte. A ampliação decorre de incentivos antigos, quando a tecnologia era mais cara.
Essa expansão contribui para o desequilíbrio diário entre oferta e demanda, levando ao curtailment — cortes na geração para evitar instabilidade. Em 2025, o corte atingiu 20% da oferta renovável potencial, frente a 3,3% em 2023.
Geração distribuída e impactos
Para mitigar o desequilíbrio entre intermitência e demanda noturna, o governo realizou o LRCap, com quase 19 GW contratados para momentos críticos. O leilão inicial enfrentou críticas por preço-teto considerado insuficiente.
O processo sofreu alterações rápidas: em 72 horas, parâmetros foram ajustados e limites elevados em até 100%. Decisões provocaram contestações jurídicas e dúvidas sobre o planejamento.
Há consenso entre especialistas de que, embora o Brasil tenha uma matriz elétrica limpa, a gestão atual expõe vulnerabilidades econômicas e de infraestrutura. A necessidade aponta para modernização de redes de transmissão e distribuição e racionalização de subsídios.
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