O Barômetro do Comércio de Bens da OMC apontou que o comércio global de mercadorias manteve-se acima da média histórica, mas desacelerou em junho. O indicador caiu de 102,3 pontos em janeiro para 101,7 em junho.
A leitura ressalta a resiliência do setor no primeiro semestre de 2026, mesmo com impactos da guerra no Oriente Médio. A demanda por componentes eletrônicos ligados à IA ajudou a compensar parte dos efeitos negativos do conflito.
O índice de componentes eletrônicos ficou em 105,5 pontos, acima da tendência histórica. Frete aéreo e transporte por contêineres permaneceram acima de 100, mas com ritmo menor. Matérias-primas agrícolas ficaram ligeiramente abaixo da linha de tendência.
IA ajuda a segurar o comércio
A OMC já havia sinalizado, em março, que a demanda por bens ligados à IA sustenta o comércio. O relatório Global Trade Outlook and Statistics aponta que esse segmento pode somar até 0,5 ponto percentual ao crescimento total de mercadorias em 2026.
Segundo o documento, investimentos em IA elevam a demanda por produtos importados. Equipamentos de computação usados em IA podem ter intensidade de importação entre 70% e 90%.
Riscos para o cenário
A guerra no Oriente Médio permanece o principal risco para o comércio global. A OMC estima que preços elevados de energia relacionados ao conflito possam reduzir o crescimento do comércio de mercadorias em 2026 em até 0,5 ponto percentual.
O conflito também pode impactar o comércio de serviços, especialmente transporte e turismo. Em cenário ajustado aos efeitos da guerra, o crescimento de serviços poderia cair de 4,8% para 4,1% em 2026.
Apesar da queda em junho, o Barômetro sugere que o comércio global permanece acima da tendência histórica. O avanço depende da força da demanda ligada à IA e da duração dos impactos da guerra sobre energia e transporte.
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