O conflito no Oriente Médio segue impactando a economia global e, no Brasil, reduz o espaço para cortes da Selic. A pesquisadora Tatiana Pinheiro, da FGV, aponta que a elevação de preços do petróleo pressiona a inflação e dificulta reduções na taxa básica.
Segundo ela, o principal efeito foi encolher o espaço para cortes adicionais na Selic neste ano. O mercado já precifica, no máximo, uma nova redução de 0,25 ponto percentual, possivelmente na reunião de junho do Copom.
Essa leitura muda a projeção de juros para 2026. Analistas antes esperavam queda para próximos anos, mas a tendência agora é manter a Selic entre 14% e 14,25% até o fim deste ano, com espaço maior apenas em 2027.
Petróleo como motor da inflação global
Pinheiro frisa que a trajetória do petróleo continua central para a inflação mundial. Mesmo com uma solução imediata do conflito, o barril poderia ficar entre US$ 65 e US$ 70 no terceiro trimestre; sem solução, deve oscilar entre US$ 90 e US$ 110.
Ela ressalta que o petróleo participa de múltiplas cadeias produtivas, sendo componente-chave na produção de combustíveis, fertilizantes, defensivos, plásticos e até têxteis. Essa cadeia amplia o efeito de variações de preço sobre a economia.
Caminhos para reduzir dependência
A pesquisadora avalia que reduzir a dependência do petróleo demanda mudanças estruturais. O estudo da década de 1970 é referência: Brasil investiu no Pró-Álcool, enquanto outras Nações expandiram energia nuclear para diversificar a matriz energética.
Para o cenário atual, a eletrificação da economia surge como principal caminho, ganhando impulso diante dos choques recentes. Contudo, Pinheiro alerta para novos custos públicos associados à proteção de economias diante de choques energéticos.
Endividamento público em evidência
A pesquisadora aponta que, além dos estímulos econômicos, há aumento de gasto público para mitigar impactos da alta do petróleo. A OCDE já destacou esse aspecto como risco para as contas públicas nos próximos anos, ampliando a preocupação com a sustentabilidade fiscal.
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