A Cintra foi uma cerveja de preço baixo que marcou o Rio de Janeiro nos anos 2000, disputando espaço com Brahma, Antarctica e Skol. A marca acabou saindo do site da Heineken, atual detentora do portfólio, mas deixou uma trajetória relevante no mercado brasileiro.
A empresa nasceu da operação de José de Sousa Cintra, empresário português que já havia presidido o Sporting Clube de Portugal no fim dos anos 80. O grupo Cintra atuava em petróleo, imóveis e água mineral antes de entrar no segmento de bebidas.
A entrada no ramo cervejeiro ocorreu em 1997, com a aquisição de uma fábrica desativada da Kaiser em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Em pouco tempo, veio a segunda planta em Piraí, RJ, formando unidades com capacidade para 420 milhões de litros de cerveja e 280 milhões de litros de refrigerante por ano.
Ascensão e estratégia de mercado
A Cintra emergiu como uma opção econômica, buscando espaço no varejo com preço mais baixo. No Rio de Janeiro, a marca chegou a deter cerca de 5% do mercado, expandindo rapidamente sua presença frente a grandes players.
Executivos da Cintra falavam em ambições altas, incluindo 10% do mercado nacional em cinco anos e a construção de novas plantas, inclusive no Mato Grosso do Sul. A estratégia combinava distribuição agressiva com foco em custo-benefício.
Venda, autorrestrições do Cade e desdobramentos
Em 2007, Sousa Cintra vendeu as fábricas à AmBev por 150 milhões de dólares. A compra tinha como objetivo ampliar a capacidade de produção da líder, não necessariamente incorporar a marca Cintra.
O Cade impôs restrições para evitar concentração de mercado: a Ambev não poderia ficar com a marca nem com a rede de distribuição. Em 2008, esses ativos foram vendidos à Schincariol por 39 milhões de reais.
A Cintra passou a compor o portfólio da Schincariol, que depois foi adquirida pela Kirin em 2011 e passou a se chamar Brasil Kirin. Em 2017, a Brasil Kirin foi comprada pela Heineken, por 2,2 bilhões de reais, levando a Cintra junto no histórico de mudanças de controle.
Situação atual
Nas listas recentes da Heineken Brasil, a Cintra deixou de figurar entre as marcas comercializadas e não aparece mais no site da empresa. O legado da marca, porém, permanece na memória de consumidores que a viam como opção econômica.
Sousa Cintra manteve atividades no futebol brasileiro, retornando ao Sporting como presidente interino em 2018, durante período de crise. No Brasil, a Cintra é lembrança de uma marca que chegou a ocupar espaço expressivo em um mercado concentrado.
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