Nos primeiros cinco meses deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidas caíram 16,02% em relação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 14,01 bilhões. A China, por outro lado, teve alta de 21,82% nas vendas ao Brasil, alcançando US$ 46,2 bilhões no mesmo intervalo. A participação dos EUA caiu para 9,43% da balança comercial brasileira, frente a 12,21% de janeiro a maio de 2025.
A China consolidou-se como maior destino das exportações brasileiras, ampliando sua participação de 27,78% para 31,14% do total de embarques de janeiro a maio de 2026. Em contrapartida, o reino norte-americano ficou com menor peso relativo, sinalizando uma mudança relevante no eixo comercial brasileiro.
Perspectivas comerciais diante de tarifas
A possibilidade de novas tarifas sustenta a leitura de especialistas de que o ritmo de queda nas exportações para os EUA pode continuar. O governo americano avalia impor 25% sobre o Brasil com base em investigações da Seção 301. Além disso, o Brasil figura entre 60 países com recomendação de tarifas de 10% a 12,5% por questões ligadas ao trabalho forçado.
Dinâmica de mercados e diversificação
Entre os destaques do período, as exportações para a Índia cresceram 70,22% em relação a 2025. Já as importações brasileiras de produtos da Coreia do Sul subiram 138,68%, para US$ 5,31 bilhões de janeiro a maio, ante US$ 2,2 bilhões no ano anterior. Especialistas ressaltam que a diversificação de mercados amplia as trilhas de produção e reduz vulnerabilidade a tarifas setoriais.
Análise de especialistas
O professor Jan Marcel Lacerda, especialista em Comércio Exterior da UFT, aponta que o novo tarifário pode aprofundar a migração de patamar do comércio brasileiro rumo à China, em especial nos setores de minerais e terras raras, com impacto potencial na indústria, tecnologia e investimentos. O especialistas também destacam que a China tem interesse em investir no Brasil para explorar recursos naturais.
Welber Barral, sócio fundador da BMJ e ex-Secretário de Comércio Exterior, observa que acordos com Indonésia e com a EFTA, criados pós-tarifaço, ajudam o Brasil a buscar novos mercados e reduzir a dependência dos EUA. Segundo ele, barreiras tarifárias estimulam empresas brasileiras a diversificar relações comerciais.
Dados completos de 2026
Conforme o levantamento da balança comercial, o valor total exportado para a China subiu de US$ 37,9 bilhões em 2025 para US$ 46,2 bilhões em 2026. A participação na pauta de exportações também cresceu de 27,78% para 31,14%. Nos EUA, a tendência é de retração, com participação passando de 12,21% para 9,43%.
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