A formação de Vaca Muerta, na Argentina, pode se tornar o motor de uma nova etapa de integração energética na América do Sul, segundo estudo conjunto da IGU, Arpel e Olade. O relatório aponta que investimentos acima de US$ 10 bilhões são necessários em infraestrutura de gás para abastecer Brasil, Chile, Uruguai e Bolívia nas próximas décadas.
O documento destaca que a reserva recuperável de gás não convencional em Neuquén é vista como a principal fonte para atender a demanda regional. A ideia é ampliar a produção para reduzir os obstáculos à exportação, hoje limitados pela ausência de excedentes de gás.
A análise ressalta que grande parte da infraestrutura de interconexão já existe na região. Ao longo de décadas, foram criados 16 gasodutos internacionais, muitos subutilizados, o que amplia o potencial de integração com novos investimentos.
Obras necessárias
Para viabilizar o cenário, o relatório aponta a necessidade de investimentos em transporte, processamento e armazenamento. A reversão do Gasoduto Norte deve ficar em cerca de US$ 2,3 bilhões, com exportações garantidas para Chile, Bolívia e Brasil.
A expansão do sistema Centro-Oeste e do GasAndes está estimada em US$ 1,4 bilhão, aumentando as exportações para o Chile. A integração com o Brasil exige ações adicionais de infraestrutura entre Neuquén e La Carlota.
O conjunto de obras ligadas à alternativa soma aproximadamente US$ 4,5 bilhões. Além disso, são previstos investimentos em plantas de processamento e separação de líquidos para sustentar o crescimento de Vaca Muerta.
Outra frente mencionada é o projeto da TGS para instalar plantas de processamento na origem, estimado em US$ 3 bilhões, para industrializar o gás da região.
Produção, demanda e perspectivas
O estudo destaca a mudança no panorama energético regional com Vaca Muerta. A produção de gás não convencional passou de 17 milhões para 90 milhões de m³/d entre 2015 e 2025, respondendo por mais de 60% da produção argentina.
O Chile aparece como principal destino atual, embora os volumes exportados ainda não utilizem plenamente a interconexão disponível. O Brasil é apontado como o mercado mais relevante para futuras exportações.
A Bolívia enfrenta queda de produção e pode perder excedentes no início da próxima década. Nesse contexto, o transporte de gás argentino para o Brasil é visto como oportunidade para maximizar a infraestrutura existente.
Os autores ressaltam que o potencial de Vaca Muerta, aliado à infraestrutura regional e à demanda por energia competitiva, pode acelerar a integração energética. O desafio é mobilizar os investimentos e firmar acordos de longo prazo.
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