O ONS acionou, pela primeira vez, um plano emergencial de corte de energia para evitar riscos no sistema elétrico. A medida suspendeu temporariamente a operação de usinas de menor porte em domingo, 7, em meio a uma reação do setor à tendência de crescimento da geração de eletricidade no país. A ideia é evitar sobrecarga na transmissão e manter o fornecimento estável.
Associações do setor enfatizam a necessidade de incentivos para armazenamento de energia, como baterias, para usar o excedente durante horários de menor insolação. A proposta inclui tarifas diferentes conforme a oferta de energia do dia, estimulando investimentos em armazenamento. A prática pode reduzir a dependência de térmicas no pico.
A capacidade de micro e minigeração distribuída, incluindo painéis em telhados, já passa de 44 GW, equivalente a quase 20% da geração nacional. Com o aumento da oferta, especialmente em horários de baixa demanda, cresce o risco de sobrecarga na rede de transmissão.
No domingo, entre 10h e 14h, o ONS limitou até 1 GW de geração, suficiente para atender cerca de 500 mil residências. O corte atingiu usinas com mais de 5 MW, excluindo sistemas solares em imóveis residenciais ou produtores em condomínios.
Entre as grandes usinas renováveis do Nordeste, houve cortes expressivos: chegou a 11 GW no domingo e, no sábado anterior, 15 GW. Mesmo assim, o risco de apagão permaneceu, segundo o órgão regulador.
O setor de MMGD defende baterias para armazenar o excedente diurno e repor a demanda no início da noite, quando a geração solar e eólica cai. A ideia é criar tarifas que tornem mais barato o armazenamento em baterias para uso durante o pico.
A Aneel autorizou, em 2025, a suspensão de usinas de menor porte diante de avisos do ONS sobre riscos à segurança do sistema. Especialistas apontam que grandes leilões de armazenamento não resolvem totalmente o desafio da geração distribuída.
Executivos do setor destacam que sinalização de tarifas pode acelerar a resposta do mercado. Regulamentação da Aneel seria suficiente para incentivar a instalação de baterias por parte de micro e pequenas geradoras.
Fonte nota que a assessoria do ONS não havia respondido a pedidos de entrevista até o fechamento desta publicação. O tema permanece em debate entre autoridades, reguladores e representantes do setor.
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