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Falta de conhecimento levou governo a bloquear Kalshi, diz bilionária brasileira

Kalshi tem operação bloqueada no Brasil; cofundadora afirma que a venida da decisão foi por gap educacional e mira reverter, com operação local futura

Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, durante o Web Summit Rio 2026
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A Kalshi, plataforma de mercados preditivos, teve o acesso bloqueado no Brasil pela Fazenda, em decisão anunciada no fim de abril. A empresa, fundada pela brasileira Luana Lopes Lara, contesta a medida e diz que o bloqueio decorre de falta de entendimento sobre o modelo de negócios. A cofundadora afirmou que a atuação é educativa, não uma casa de apostas, e busca diálogo com o governo para esclarecer operações.

Luana Lopes Lara, 29, mora nos EUA e atua no Web Summit Rio 2026, onde explicou que a Kalshi cobra taxa de corretagem sobre contratos comprados e vendidos. A plataforma não lucra com perdas dos usuários, afirma. O objetivo é incentivar participação e negociação, similar a bolsas tradicionais.

A Kalshi opera nos Estados Unidos desde 2019, e, em 2024, uma decisão judicial autorizou contratos sobre eleições, elevando o valor da empresa. Na visão da empresa, a mudança abriu espaço para mercados eleitorais, considerados cruciais no setor preditivo. O acesso no Brasil, porém, permanece proibido.

Sobre a regulamentação brasileira, a Kalshi diz manter diálogo com o governo para explicar o funcionamento e a necessidade de moldes legais. A empresa ressalta que pretende reverter a decisão do CMN que restringiu a liquidação de contratos futuros a eventos macroeconômicos. O foco é trazer a operação ao Brasil.

No modelo de negócios, a Kalshi diz ganhar com a diferença entre compradores e vendedores de contratos, cobrando cerca de 1% de taxa de corretagem. A empresa afirma não ser uma casa de apostas, pois não lucra com ganhos de terceiros nem com perdas de usuários.

Perguntas sobre uso de informações privilegiadas são tratadas com ênfase na regulação. A Kalshi afirma operar sob regime regulado, com mecanismos para bloquear usuários com conflitos de interesse e monitorar atividades para evitar manipulação.

A empresa também aponta limites temáticos para contratos: não é permitido explorar guerras, assassinatos, atos terroristas ou outros conteúdos imorais. A Kalshi destaca que eventos de entretenimento ou esportes não seguem apenas lógica econômica, mas que proteção e gestão de risco são necessárias.

Sobre o futuro no Brasil, Luana afirma que os planos de atuação local permanecem, dependendo de cronograma, conformidade regulatória e maturação setorial. A companhia avalia possíveis vias legais, mas sinaliza busca por relação construtiva com autoridades brasileiras.

Dados de mercado indicam que cerca de 70% dos usuários que depositam em plataformas preditivas não realizam operações financeiras, segundo a visão apresentada pela Kalshi. A empresa sustenta que, em mercados de opções e futuros, a taxa de perda entre investidores costuma ser maior.

Em relação a medidas de segurança, a Kalshi descreve margem total, limites de depósito e suspensão de certos mercados para evitar endividamento excessivo. A empresa afirma também que, por ser regulada, investiga e reporta casos suspeitos às autoridades competentes.

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