O boletim Focus divulgado nesta segunda-feira aponta nuvens rígidas sobre a economia brasileira. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu pela 13ª semana consecutiva, de 5,09% para 5,11%, acima do teto de 4,5%.
A Selic também ganhou viés de alta, passando de 13,25% para 13,50% ao ano. A janela de manutenção de cortes ou desaceleração aponta para um cenário mais resistente, com as próximas decisões do Copom em pauta para a próxima semana.
As autoridades indicam que o quadro pode demorar a reverter. Nos dias 16 e 17, o Copom decide se mantém uma redução modesta da Selic ou interrompe o ciclo de queda. A ata de maio já sinalizava cautela quanto à calibração da política.
Fatores externos pesam sobre o ambiente brasileiro. A reedição de tarifas propostas pelo governo dos EUA e o conflito no Oriente Médio elevam custos de combustíveis, pressionam cadeias produtivas e influenciam o câmbio.
A disputa eleitoral aparece como segundo fator de destabilização. O governo Lula aponta indicadores positivos, como baixas taxas de desemprego e aumento do salário mínimo, mas o endividamento e os juros continuam impactos para o consumidor.
O ministro da Fazenda, Dalio Durigan, chegou a apresentar números otimistas sobre o desempenho da economia em 2026, com crescimento acima de 1% no segundo trimestre. Dados oficiais ainda dependem de cenário externo e fiscal.
No campo político, críticas à política econômica ganharam contorno entre pré-candidatos. Flávio Bolsonaro tem feito ataques genéricos, responsabilizando o governo por decisões comerciais de Washington, o que aumenta a volatilidade política.
O panorama fiscal permanece complexo, com debates sobre gastos públicos em meio à população endividada. Alguns nomes no espectro oposicionista enfrentam vulnerabilidades ligadas a contas públicas herdadas.
O momento atual exige cautela e responsabilidade na condução econômica. A trajetória de curto prazo continua incerta, sujeita a choques externos e a dinâmicas políticas que moldam o apoio ao governo.
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