O envelhecimento acelerado da população brasileira impõe novos desafios ao sistema de saúde suplementar. Dados do Censo de 2023 mostram avanço de 57,4% na população em idade adulta ao longo de 12 anos, enquanto a faixa de até 14 anos recuou cerca de 4%. Mudanças estruturais são necessárias para a sustentabilidade do setor.
O tema foi destacado por Bruno Sobral, diretor executivo da FenaSaúde. Em entrevista à CNN Brasil, ele ressaltou que o envelhecimento é uma conquista, consequência de melhor atenção à saúde e de maior qualidade de vida para a população. Ainda assim, o custo cresce.
Segundo Sobral, a demografia impacta diretamente o financiamento dos planos. A participação de beneficiários com mais de 60 anos aumentou 32%, enquanto a faixa entre 20 e 39 anos reduziu 12%. O modelo mutualista fica pressionado pela tensão entre jovens pagantes e idosos utilizadores.
Dados do IBGE apontam que o Brasil dobrou o número de idosos em duas décadas. Em comparação internacional, Sobral afirmou que países europeus e os EUA levaram de 70 a 100 anos para passar pelo mesmo processo de envelhecimento.
O perfil de doenças também mudou. Doenças infecciosas cedem lugar a crônicas e degenerativas, que exigem tratamento contínuo, tecnologia avançada e custos crescentes, ampliando a pressão financeira sobre o sistema.
A escassez de profissionais especializados em geriatria é outro desafio apontado. Sobral defende abordagem multidisciplinar que garanta mobilidade, saúde mental e qualidade de vida, sem enquadrar idosos como saudáveis ou não saudáveis.
Mudanças regulatórias e precificação
A precificação de atendimentos para idosos exige debate regulatório. Hoje, o Pacto Intergeracional restringe reajustes por faixa etária e impede aumentos após os 59 anos, buscando não discriminar idosos. A regra, porém, pode dificultar a correta avaliação de risco.
Sobral afirma que, sem ajustes, o custo adicional do envelhecimento pode recair sobre os jovens, elevando tarifas de forma não sustentável. O tema exige amplo debate social para manter o equilíbrio financeiro da saúde complementar.
Estratégias para mitigar impactos incluem programas de cuidado voltados a idosos, com acompanhamento médico especializado, incentivo à atividade física, atenção à saúde mental e monitoramento contínuo. Melhor qualidade de vida pode reduzir custos a longo prazo.
Ao mirar o futuro, especialistas projetam uma população brasileira mais envelhecida e a necessidade de adaptar não apenas o sistema de saúde, mas a organização social e econômica. O objetivo é manter serviços eficazes sem excluir grupos da cobertura.
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