O apagão da ureia atingiu o Brasil no primeiro semestre de 2026. Dados oficiais mostram que as importações do Irã zeraram entre fevereiro e maio, após ter chegado a US$ 21,57 milhões em janeiro. A paralisação ocorreu em meio a tensões no Oriente Médio e ao gargalo logístico no Estreito de Ormuz.
A ureia é o fertilizante nitrogenado mais importante para culturas como milho, cana e café. O desabastecimento, aliado ao aumento de preços, elevou o custo de produção e ameaça a competitividade do agronegócio brasileiro.
Entre maio de 2025 e maio de 2026, o preço médio por tonelada de fertilizantes importados subiu de US$ 336,43 para US$ 397,04, um avanço de 18%. A Secex aponta esse efeito para o conjunto de adubos químicos importados.
Os importadores brasileiros decidiram adiar compras diante do encarecimento e dos fretes elevados no Golfo Pérsico. O valor total de ureia importada caiu de US$ 199,3 milhões em março para US$ 66,49 milhões em maio.
A Nigéria, que aparece como porto seguro alternativo, também registrou queda expressiva: de US$ 82,8 milhões em abril para US$ 4,6 milhões em maio. Resta saber se o calendário de adubação da nova safra será afetado.
Mudanças no abastecimento
O cenário aponta para risco de maior custo de produção no curto prazo. Importadores aguardam sinais de retomada de suprimento com estabilidade de fretes e seguros na região. A evolução das partidas de ureia continuará influenciando o setor até o fim do semestre.
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