A Kalshi mantém o seu interesse no mercado brasileiro e diz ter como plano A trabalhar de forma construtiva com o governo para reverter a decisão que proibiu a operação no país. A afirmação é de Luana Lopes Lara, cofundadora da plataforma.
Em entrevista à Bloomberg Línea, a executiva brasileira reforçou que a proibição é encarada como um desafio regulatório comum e que a empresa busca atuação legalizada e regulada em todos os países onde operar.
Ela afirmou que o objetivo é educar o público sobre mercados preditivos e diferencia-los de casas de apostas, destacando que isso oferece proteção ao consumidor e oportunidades de hedging para empresas.
O discurso de Luana ocorreu na abertura do Web Summit Rio 2026, sugerindo que a Kalshi pretende manter o diálogo com autoridades para ampliar o acesso aos seus contratos no futuro.
No âmbito global, a Kalshi opera desde 2018 e começou a funcionar em 2021 após decisões jurídicas nos EUA que validaram a legalidade de seus contratos, defendidos como instrumentos de hedge com impactos reais.
A empresa afirma que, em 2024, houve uma expansão para temas como eleições nos EUA e esportes, com crescimento de liquidez que, segundo a fundadora, multiplicou o porte de negócios nos meses recentes.
Sobre o desempenho, Luana disse que a Kalshi negocia mais de US$ 4 bilhões em volume semanalmente, com fundamentos financeiros saudáveis mesmo diante de grandes investimentos em marketing.
A sociedade americana de mercados preditivos continua no centro do movimento regulatório, com disputas jurídicas envolvendo autoridades de diferentes estados, segundo a cofundadora.
Ela ressaltou que a diferença essencial em relação aos cassinos está na estrutura de incentivos: na Kalshi, as negociações são entre usuários, sem incentivo à perda de clientes por parte da plataforma.
Ainda assim, a gestão reconhece riscos de varejo, como qualquer mercado financeiro. Apontou medidas de segurança, limites de depósito e mecanismos de bloqueio para casos de perdas repetidas.
No Brasil, após parceria com a XP, o CMN vetou mercados de previsão ligados a eleições e esportes, seguido pela Fazenda, que bloqueou dezenas de sites, incluindo a Kalshi. A empresa disse buscar regularização.
Segundo Luana, banir mercados preditivos não elimina a atividade; ela argumenta que a proibição leva à informalidade e à evasão de impostos, defendendo um caminho regulado.
A Kalshi sustenta que tem uma estratégia de regulação gradual, tentando adaptar-se a diferentes jurisdições, inclusive na América Latina e na Europa, onde a regulação é mais consolidada.
Sobre o futuro, a executiva não descartou o IPO, embora mantenha o foco no crescimento e na construção de uma base de clientes institucionais, que, segundo ela, deve se tornar o motor principal da operação.
O plano é ampliar a atuação global com condições regulatórias adequadas, mantendo o equilíbrio entre varejo e institucional, para sustentar o crescimento de liquidez e de receita.
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