O Banco de Brasília (BRB) afirma ter sido a maior vítima da fraude ligada ao Banco Master. Em audiência no Senado, o presidente Nelson Antônio de Souza informou que um aporte de 8,8 bilhões de reais deve elevar o lucro do BRB acima de 1 bilhão a partir de 2028. A operação envolve empréstimo do Distrito Federal e securitização de dívida.
Segundo Souza, o DF promoverá o empréstimo com apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com securitização da dívida ativa, totalizando os 8,8 bilhões necessários para cobrir os prejuízos do Master. O valor exato depende do limite de endividamento autorizado pelo Senado.
O governo distrital negocia com o FGC e bancos os termos do empréstimo. A administração afirma que a operação é contábil, não implica desembolso direto do Tesouro Nacional e está dentro da lei. A ideia é evitar a liquidação do BRB pelo Banco Central, que poderia ocorrer sem o aporte.
Aporte, condições e garantias
A proposta prevê o empréstimo de cerca de 6,5 a 6,6 bilhões de reais, sujeito ao teto de endividamento autorizado pelo Senado. Os 2,2 bilhões restantes virão da securitização de ativos do DF. Governadores ressaltam que os recursos não vão direto para o aporte, mas reforçam o capital regulatório do BRB.
A operação envolve concessões adicionais, como uso de garantias de FPE e FPM, com condicionantes adicionais para quitar o ajuste fiscal. Também há compromisso de congelar reajustes salariais, concursos e incentivos fiscais até a quitação, conforme avanço do orçamento.
A governadora Celina Leão busca aprovar o projeto na Câmara Legislativa para autorizar a contratação do empréstimo. Bancos participantes exigem clareza sobre garantias e instrumentos usados, conforme últimas tratativas públicas. Os termos estão em negociação e ainda não há assinatura.
Contexto da fraude e impactos para o BRB
Entre 2024 e 2025, operações entre BRB e Master somaram 30 bilhões de reais, com ativos de 21,9 bilhões permanecendo no BRB. A Polícia Federal identificou que o BRB realizou compras de carteiras podres do Master, gerando rombos que chegaram a 8,8 bilhões.
Pessoas ligadas ao Master teriam chegado a possuir 23,5% do BRB, segundo declarações do presidente do BRB. Os valores bloqueados envolvem defensores do Master e o próprio BRB busca ressarcimento. O ex-presidente do BRB foi alvo de prisão relacionada a propina envolvendo imóveis.
O BRB informa que continuará buscando responsabilizar os gestores envolvidos, inclusive por meio de ações judiciais. A transparência sobre o balanço de 2025 é citada pelo presidente como principal ponto de interesse público, diante da necessidade de assegurar liquidez.
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