A QI Tech ampliou seu portfólio ao ingressar no mercado de renda fixa privada. A fintech lançou um banco liquidante e um braço de escrituração voltados a debêntures, CRIs, CRAs, certificados de recebíveis e notas comerciais, ampliando a infraestrutura para emissores e investidores.
Fundada em 2018, a empresa já atuava na custódia e administração de FIDCs, além de oferecer soluções para crédito e recursos de empresas. A nova etapa visa digitalizar processos que ainda hoje são majoritariamente manuais e pouco automatizados.
A estreia nessa frente ocorreu com apenas algumas semanas de operação, já contabilizando R$ 1,5 bilhão em quatro operações: duas debêntures, um CRI e uma nota comercial. A meta é alcançar novos patamares de escala rápido.
Novo movimento estratégico
A estratégia inicial é explorar a base atual de clientes da QI Tech, que envolve cerca de 700 empresas, incluindo nomes como Vivo, Wellhub e 99. A empresa pretende que bancos coordenadores, distribuintes e grandes securitizadoras avancem com as emissões.
Nesse cenário, a QI Tech deve crescer por meio de dezenas ou centenas de operações, com projeção de liquidações entre R$ 30 bilhões e R$ 32 bilhões em 2026. A expectativa é alcançar 70 a 100 novos clientes nesse período.
Plataforma integrada de emissão
A plataforma centraliza informações sobre emissões, desde detentores e vencimentos até juros e eventuais antecipações de covenants. Uma conta Escrow é disponibilizada para trânsito de recursos e garantias, com integração nativa à B3 para dados de negociações no mercado secundário.
Segundo a empresa, o modelo anterior envolvia troca de e-mails, ligações e documentos físicos, o que gerava erros humanos. A plataforma promete maior eficiência, transparência e controle para emissores, agentes fiduciários, coordenadores, assessores legais e investidores.
Projeções e cenário de mercado
A QI Tech já atua com licenças para corretora de títulos e valores mobiliários e para Sociedade de Crédito Direto. O objetivo é consolidar a oferta de custódia e administração de FIDCs, fortalecendo a presença no mercado de renda fixa privada.
A justificativa para a expansão está associada ao ambiente de crédito com juros elevados, que torna as debêntures mais atrativas para financiamento de empresas. Em 2025, o mercado brasileiro de captações atingiu R$ 838,8 bilhões, segundo a Anbima, com as debêntures somando R$ 492,8 bilhões e as notas comerciais crescendo 18,9%.
Perspectivas de crescimento e IPO
Além de consolidar operações, a empresa mira uma agenda de M&A para robustecer a oferta de custódia e de FIDCs. A liderança projeta um IPO de grandes dimensões em 2027, com valuation de alguns bilhões de dólares, conforme declaração da liderança da QI Tech. Enquanto isso, a estratégia é ampliar a carteira de clientes e operações da nova linha.
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