A SpaceX, tradicionalmente vista como empresa de lançamentos e operadora da maior rede de internet via satélite, pode estar passando por uma transformação de visão. A avaliação de mercado, no entanto, aponta para uma aposta em IA de alta escala, ao lado do negócio aeroespacial existente. A discussão envolve se a empresa continua sendo uma companhia de foguetes ou uma aposta de US$ 1,75 trilhão em IA.
Segundo análises, o histórico de lançamentos e a lucratividade da rede de satélites justificam o valor de uma empresa de telecomunicações ou industrial. Já a visão de IA, amplificada pela estratégia de crescimento, tende a sustentar uma avaliação muito acima da receita atual. A narrativa completa depende de múltiplos negócios em estágios distintos de maturidade.
No início de 2026, a SpaceX integrou a xAI, startup de IA de Elon Musk, à X, plataforma social anteriormente conhecida como Twitter. Juntas formam a SpaceXAI, com Grok concorrendo com grandes modelos de linguagem. A concorrência envolve Google Gemini e Anthropic, entre outros players de IA.
A empresa investiu pesado em infraestrutura de IA, com gastos de US$ 12,7 bilhões em 2025 e mais US$ 7,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Esse desembolso contribuiu para um prejuízo operacional de US$ 1,94 bilhão no 1º trimestre de 2026, enquanto a receita total alcançou US$ 4,69 bilhões.
Para manter caixa, a SpaceX tem alugado capacidade de seus data centers. Documentação do IPO aponta colaboração com a Anthropic, que paga à SpaceX cerca de US$ 1,25 bilhão mensais pelo acesso computacional até 2029. Outros contratos com diferentes clientes também existem, funcionando como fluxo de caixa transitório.
Investidores veem na direção orbital da computação uma estratégia central. A SpaceX planeja ampliar infraestrutura de IA para fora da Terra, alegando limites de terra para data centers. A meta anunciada é atingir 100 gigawatts de capacidade computacional no espaço anualmente, com autorização para até um milhão de satélites data center orbitais.
A lógica envolve custos menores de lançamento via Starship e a rede de navegação óptica Starlink, conectando o poder computacional orbital à Terra. A possibilidade de controle de ambos os lados da operação seria um diferencial estratégico frente aos concorrentes terrestres.
Riscos existem, como latência da computação orbital, radiação e manutenção de hardware no espaço. Além disso, a implantação exige lançamento de milhares de satélites antes que a capacidade seja significativa. Ainda assim, a aposta busca superar limitações dos data centers terrestres, segundo visões apresentadas no material do IPO.
Historicamente, Elon Musk rearticula narrativas de acordo com o que atrai maior pagamento entre investidores. A fusão da SolarCity com a Tesla ilustrou esse padrão. A SpaceX estaria, assim, reposicionando-se como infraestrutura essencial para um ecossistema de computação intensiva.
Com múltiplo de receita em patamar de três dígitos, a execução precisa enfrentar desafios de engenharia de grande complexidade. O investimento é classificado como de alto risco, porém com potencial de retorno extraordinário, dependendo de a estratégia de IA prosperar.
– Reportagem originalmente publicada na Forbes, com atualização sobre o esforço da SpaceX para consolidar IA como núcleo de seu modelo de negócios.
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