A Vale elevou suas expectativas de fluxo de caixa livre para o minério de ferro após a alta de preços, mesmo diante do conflito entre Irã e Ocidente. O CEO Gustavo Pimenta disse em entrevista concedida à Bloomberg Television, no Rio de Janeiro, que a demanda por metais se mantém robusta e que não há sinais de enfraquecimento por causa da guerra. A empresa revisou a projeção em US$ 1,5 bilhão.
Segundo Pimenta, a Vale está priorizando a exploração de ativos próprios e não aquisições, com a demanda mundial por minerais críticos apresentando desempenho “superconstrutivo”. Ele ressaltou que interrupções no Estreito de Ormuz elevam custos de frete e combustíveis, o que pressiona margens, apesar do crescimento de preços.
A companhia estima preço médio do minério de ferro em US$ 112 por tonelada em 2024, frente aos US$ 102 do cenário anterior ao conflito. O executivo se mostrou otimista com as perspectivas do ano, apontando que a demanda terá impulso de regiões fora da China, como Sudeste Asiático, Europa e EUA.
Aço indiano
O CEO afirmou que a Índia deverá dobrar a produção de aço bruto na próxima década, impulsionando o crescimento global. A Vale considera que o país pode se tornar um motor relevante para seus recebimentos, mantendo foco no atendimento a mercados emergentes.
Omã e logística
A Vale suspendeu operações de um complexo de pelotização em Omã até o terceiro trimestre por restrições logísticas associadas à guerra. A unidade tem capacidade anual de 9 milhões de toneladas de pelotas, representando cerca de 29% da produção da empresa.
Pimenta disse que a reabertura em Omã depende de arrefecimento do conflito. Mesmo com a instabilidade no Oriente Médio, o executivo vê Omã como centro estratégico para abastecer clientes na região.
Terras raras
A Vale tem avaliado uma possível incursão no setor de terras raras, considerando oportunidades no Brasil. O país detém grandes reservas fora da China, entre 17 elementos críticos para a transição energética.
No entanto, o CEO destacou dúvidas sobre escala e capacidade de competir com produtores internacionais consolidados. A prioridade continua em áreas onde a Vale já tem expertise, como cobre e níquel.
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