O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a estratégia para frear a aprovação na Câmara dos Deputados de pautas com alto impacto fiscal. A tentativa ocorre em meio à soma de propostas que podem ampliar o rombo nas contas públicas, caso avancem sem contestações. O choque esperado envolve o fim da escala 6×1, alvo da pauta enviada pelo governo.
A Câmara mantém a pauta trancada pela perda de urgência do PL que altera a escala de trabalho. Durigan planeja uma aproximação com o presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em meio a uma relação relativamente boa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Motta. A aposta é que o diálogo tenha mais chance de prosperar neste momento.
Nos bastidores, auxiliares da Fazenda apontam que senadores avançaram com medidas de alto impacto fiscal, mesmo frente aos alertas oficiais sobre o efeito nas contas públicas. A avaliação da pasta é que a saída é política, não jurídica, e que recorrer ao STF sem esgotar negociações pode agravar o desgaste com o Congresso.
Antes da votação desta semana, Durigan contatou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para expressar preocupação com o avanço da pauta. Alcolumbre teria sinalizado o esforço para adiar a votação, mas ressaltou que a questão não depende apenas dele.
Pautas consideradas pela Fazenda
As propostas vistas como “pautas-bomba” pela Fazenda incluem a ampliação da renegociação de dívidas rurais, mudanças em regras previdenciárias para categorias específicas e a criação de novos pisos salariais. Segundo o governo, o impacto fiscal acumulado pode chegar a R$ 270 bilhões ao longo de dez anos.
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