Dão Real, presidente do Sindifisco Nacional, participou do JR ENTREVISTA desta quinta-feira para falar sobre o papel da Receita Federal na desarticulação de finanças de organizações criminosas, o monitoramento de fintechs e o déficit de servidores na fiscalização de portos e fronteiras.
Segundo o dirigente, facções como PCC e Comando Vermelho atuam hoje como conglomerados empresariais que se infiltram na economia formal para ocultar ativos. A Receita atua rastreando patrimônios, beneficiários reais e fluxos financeiros sem origem declarada.
Real destacou que, na prática, auditores encontram fluxos usados para esconder ativos de facções criminosas, não apenas em tráfico de drogas ou armas. Um exemplo citado foi a Operação Carbono Oculto, que mostrou domínio do crime organizado na cadeia de combustíveis.
O trecho sobre lavagens de dinheiro envolve o uso de postos de gasolina, refinarias e redes de distribuição para reduzir riscos e ampliar lucros, com práticas como sonegação e venda de combustível adulterado com metanol.
Ele explicou ainda o uso de bancos digitais e contas bolsão para dificultar a identificação dos reais donos do dinheiro, reforçando a necessidade de normas que equiparem fintechs às instituições tradicionais quanto à declaração de CPFs dos beneficiários.
Antes do monitoramento específico, o crime utilizava plataformas digitais para “esquentar” recursos via fundos de investimento, que financiavam a aquisição de bens reais e empresas legais.
Real ressaltou que a missão da Receita complementa a atuação da Polícia Federal. Enquanto a polícia prende, o fisco atua na desarticulação econômica do crime, reduzindo o oxigênio financeiro das organizações.
A entrevista também tratou da escassez de pessoal. A Receita tem hoje cerca de 6.800 auditores ativos, metade do quadro de 2014, o que sobrecarrega a fiscalização aduaneira e a identificação de fraudes complexas.
Ele defendeu a realização de novos concursos, afirmando que tecnologia não substitui a análise humana necessária para lidar com grandes volumes de dados.
Importância da fiscalização no combate ao crime
A conversa reforçou que, mesmo com avanços tecnológicos, a fiscalização depende de pessoal qualificado para acompanhar operações complexas e evitar brechas no sistema financeiro.
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