Artur Gomes da Silva Neto, ex-auditor fiscal de São Paulo, foi preso novamente nesta quarta-feira, 10, em casa, durante operação relacionada a fraudes em ICMS. Ele responde a mais de 130 crimes de lavagem de dinheiro e corrupção, gerando um prejuízo bilionário aos cofres públicos. O caso envolve as ações do Ministério Público de São Paulo.
O Ministério Público já o tornou réu em sete ações penais e estima que novas denúnias cheguem nas próximas semanas. As investigações, iniciadas em 2025, abrangem empresas como Fast Shop, Ultrafarma e Rede 28, com desdobramentos em três operações distintas: Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo.
Até o momento, o total de danos ao Estado alcança 8,53 bilhões de reais, segundo apurações. A Fazenda estadual contabiliza 5,75 bilhões em danos decorrentes do esquema, sendo 1,93 bilhão em créditos de ressarcimento e 3,82 bilhões em outros créditos.
Contexto do esquema e prejuízos
Entre as empresas citadas, a Fast Shop aparece com cerca de 2 bilhões de reais envolvidos, enquanto a Ultrafarma soma aproximadamente 1 bilhão. A Receita Federal também aponta prejuízo estimado de 1,74 bilhão de reais. A Controladoria-Geral do Estado aplicou à Fast Shop uma multa de 1,04 bilhão, considerada a maior já prevista pela Lei Anticorrupção.
A investigação aponta ainda um componente de lavagem de dinheiro por meio de criptomoedas. Segundo os levantamentos, recursos ilícitos teriam sido armazenados em cold wallets, carteiras desconectadas do sistema financeiro, para facilitar movimentações ao exterior.
Cartas revelam orientações para acusados
Cartas manuscritas apreendidas revelam tentativas de alinhar versões entre investigados no esquema bilionário. Documentos obtidos pela CNN Brasil descrevem instruções para assinatura de procurações e orientações sobre pagamento de honorários e negociação de dívidas. Em mensagens, Artur sugere que um investigado não coopere com o Ministério Público e assina como The King em uma das notas.
Artur havia sido solto em 2 de junho, mas novos pedidos de prisão preventiva já haviam sido protocolados pelo Gedec. A Justiça autorizou a prisão no dia seguinte, dia 3 de junho, mantendo o andamento das apurações. A defesa do ex-auditor não foi localizada para comentário no momento.
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