Naiefa de nafta vendida por refinarias brasileiras aparece em esquema ligado ao PCC, conforme documentos da ANP e informações de uma fonte próxima à investigação. Mais de 100 milhões de litros teriam sido enviados a uma empresa investigada por fraude e lavagem de dinheiro associada à facção. Entre os principais fornecedores, está a Riograndense, refinaria no Rio Grande do Sul administrada por Petrobras, Braskem e o conglomerado Ultrapar.
A Petrodansk, que recebeu a nafta, é apontada pelo Ministério Público de São Paulo como destinatária de desvios para postos de combustível em um esquema de contrabando. A investigação também envolve a ligação entre a Petrodansk e a rede de distribuição de solventes, com acusações de envio de combustíveis para o interior do país sem o devido controle.
Segundo a ANP, a Riograndense teria encaminhado a maior parte dos carregamentos sem o marcador químico exigido para prevenir fraudes. A empresa disse que a irregularidade foi falha operacional não intencional, já corrigida, e que as autorizações estavam válidas à época dos envios.
A Petrodansk não respondeu a pedidos de comentário. Em redes sociais, a companhia negou irregularidades e informou que esclarecerá os fatos oportunamente. A Riograndense informou ter bloqueado as vendas para a Petrodansk em outubro de 2024 após Identificação de potenciais indícios de não conformidade, sem detalhar os itens.
Contexto e desdobramentos
A Riograndense afirma que as autorizações legais para a venda estavam em vigor no momento dos carregamentos. A Petrobras e a Ultrapar destacaram que a Riograndense opera de forma independente e que não foram notificadas de investigações pelo Ministério Público de São Paulo. A Braskem não se manifestou.
A investigação ressalta riscos para o setor energético brasileiro diante de novas medidas dos Estados Unidos, que designaram o PCC como Organização Terrorista Estrangeira. A designação amplia o alcance de sanções para empresas ligadas ao grupo, especialmente em transações com entidades estadunidenses. Especialistas destacam que o modo de atuação envolve lavagem de recursos pela cadeia de suprimentos, incluindo combustíveis.
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