O Estreito de Hormuz permanece fechado há mais de 100 dias, prejudicando o fluxo global de petróleo. A afirmação de que uma missão secreta conduziu 100 milhões de barris pelo canal não pôde ser verificada de forma independente. A indústria continua debatendo quanto petróleo realmente transita pela rota.
Analistas apontam a dificuldade de medir o tráfego, em razão de navios operando sem transponders e de rotas noturnas mais próximas da fronteira com Omã. Observações apontam que alguns tipos de crude podem ter origens limitadas a campos específicos, o que ajuda a rastrear parte do carregamento, ainda que o tamanho total permaneça incerto.
O bloqueio vem num cenário de grande interrupção de suprimentos. Dados da OMC indicam redução de 95% nas remessas de crude a partir de portos do Golfo e queda de 99% em embarcações de gás natural liquefeito. A IEA descreveu o evento como a maior quebra de oferta já registrada no mercado global.
Impactos no mercado
Apesar da gravidade, o preço do Brent permanece estável próximo de US$ 87 por barril, nível não visto desde antes do conflito. A explicação aponta para estoques estratégicos e buffers de demanda, como grandes estoques de China’s que vêm sendo usados gradualmente para cobrir parte da demanda.
China mantém estoques em nível elevado, com saídas diárias em torno de 1 milhão de barris, enquanto a demanda interna fica em patamar próximo de 7 milhões de barris por dia nos últimos meses. EUA, Brasil e Canadá também têm contribuído para mitigação parcial da ausência de suprimento.
Analistas destacam que o mercado reagiu relativamente bem, com parte da demanda sendo ajustada e estoques entrando no mercado. Entretanto, especialistas alertam que os estoques operacionais estão atingindo níveis críticos e que a situação pode exigir ajustes adicionais na produção.
Perspectivas de retomada
Estimativas sobre o retorno de suprimentos variam amplamente. O mercado já considera cenários de recuperação entre 10 semanas e vários meses, dependendo de condições técnicas e políticas. Autoridades e analistas destacam que danos a instalações podem prolongar o atraso para além de dois anos em alguns casos.
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