Aplus, empresa de engenharia de Blumenau, Santa Catarina, aposta em gêmeos digitais para transformar plantas industriais em réplicas virtuais que simulam operações antes da construção física. A proposta permite testar processos, prever falhas e treinar equipes, buscando ganhos de eficiência com base em dados da indústria.
Fundada em 2014, a empresa já atua em biocombustíveis, terminais portuários, MDF, papel e celulose. Em 2025 registrou faturamento de 46 milhões de reais e projeta 85 milhões em 2026, com cerca de 190 engenheiros atendendo clientes em todo o país. A aposta é criar receita recorrente.
Base e visão tecnológica
A ideia nasceu ao tentar estender o ciclo de vida de um projeto além da montagem do site. O fundador Alessandro Salvador explica que a planta era entregue e iniciada a operação, mas o acompanhamento encerrava ali. A solução digital busca manter o relacionamento ao longo da operação.
André Oliveira, também fundador, destaca que o gêmeo digital usa dados gerados durante o desenvolvimento para construir a versão virtual da operação. Sensores na planta física alimentam o modelo, que utiliza IA e aprendizado de máquina para sugerir melhorias.
Aplicações práticas
O objetivo é transformar dados em decisões mais eficientes. Em uma unidade de esmagamento de soja, a simulação pode indicar o ponto ideal de operação para reduzir desperdícios e energia, com ganhos de 0,5% a 1%, o que representa impactos significativos para empresas de grande faturamento.
Além da operação, a ferramenta serve para treinamento, permitindo que operadores ensaiem situações de emergência sem colocar plantas reais em risco. A manutenção preditiva também é viável, com alertas sobre desgaste de equipamentos.
Caminho de crescimento
A empresa planeja tornar o gêmeo digital uma parte relevante do negócio, buscando receita recorrente e fortalecendo a relação com clientes ao longo de toda a vida útil das plantas. A projeção é de que a solução represente cerca de 30% do faturamento em cinco ou seis anos.
Para viabilizar o projeto, a Aplus busca apoio em inovação via Finep, vinculada ao MCTI, com lançamento comercial previsto para os próximos dois anos. A expectativa é ampliar a atuação para além do estágio de construção.
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