O público de Nova Jersey observa o efeito da Copa do Mundo com misto de otimismo e cautela. Dois restaurantes da família Mubarak em Newark tiveram forte movimento no sábado, quando a seleção brasileira empatou com Marrocos, elevando o faturamento nas unidades da churrascaria Boi na Brasa. O gerente Kalani Mubarak afirmou que as vendas quase dobraram e estimou crescimento aproximado de seis vezes.
A alta demanda ocorreu em meio a ruas fechadas para celebrações e a presença de segurança reforçada. Em Newark, onde fica a maior concentração de brasileiros na região, o ambiente foi marcado pela expectativa de grandes públicos para os jogos, especialmente na cidade vizinha de Nova York, considerada o principal polo de lucros da Copa para a região.
Investimento e temores de retorno
O governo de Nova Jersey investiu US$ 155 milhões para receber oito partidas, incluindo a final, entre 2026 e o período do torneio. Autoridades locais temem que o benefício não compense o gasto público ou que o turismo gere mais dinheiro a Nova York do que ao estado.
No entanto, a diferença de ganhos entre cidades preocupa legisladores. O senador Declan O’Scanlon, do Partido Republicano, afirmou que os contribuintes podem arcar com custos sem ver retorno equivalente, principalmente se o turismo se concentrar em hospedagem e consumo em Nova York. A críticas decorrem do déficit orçamentário de Nova Jersey, estimado em US$ 1,5 bilhão.
Projeções econômicas sob avaliação
O comitê anfitrião NY/NJ projeta impacto econômico de US$ 3,3 bilhões para todo o megaevento, com a geração de 26 mil empregos. A estimativa aponta cerca de US$ 400 milhões por jogo, o que alimenta expectativas de movimentação financeira significativa para a região.
Economistas e pesquisadores divergem. Uma professora da Seton Hall University afirmou que as projeções estariam infladas, citando precedentes de 1994, quando cidades-sede registraram prejuízos. A hotelaria de Nova York relata estabilidade em reservas, com alta demanda típica de temporada, refletindo na taxa de ocupação de até 96% no pico de junho e julho.
Contexto local e impactos
Em Nova Jersey, o restante do estado mantém ocupação menor, cerca de 65%, com exceção de áreas litorâneas. Analistas destacam que a maior parte dos visitantes tende a permanecer em Nova York, o que pode reduzir o efeito direto sobre o comércio local do estado anfitrião.
A cobertura acompanha as estratégias de segurança, logística de viagens e a distribuição de visitantes entre Nova York e Nova Jersey, buscando mapear onde o dinheiro realmente fica durante a Copa.
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