O aumento do endividamento das famílias sustentou o crescimento do PIB no curto prazo, mas traz custos no médio prazo. Economistas alertam para uma ressaca que pode aparecer entre 3 e 5 anos após o crescimento do crédito.
Pesquisas internacionais mostram o efeito. O estudo “Indebted Demand”, de Mian, Straub e Sufi (2021), aponta expansão do crédito com impacto positivo imediato, seguido de queda futura de desempenho econômico.
Outro trabalho relevante é o relatório do FMI sobre os efeitos macrofinanceiros da dívida familiar, que também reforça a ideia de ganhos no curto prazo e desaceleração no médio prazo.
No Brasil, o endividamento das famílias alcançou patamar recorde, conforme análises recentes. Parte desse aumento ocorreu em 2021/22, quando Selic ficou baixa e o crédito, especialmente imobiliário, ficou barato.
A evolução recente envolve o cenário de juros e crédito no país. A queda de custos de financiamento em décadas passadas contribuiu para o desfecho atual, com maior participação de crédito imobiliário na alavancagem.
Ressaca de endividamento e juros de equilíbrio
Os estudiosos destacam que a demanda reprimida pelo peso da dívida pode reduzir a oferta de crédito e pressionar as taxas de juros de equilíbrio para baixo, por um período de tempo.
Segundo o Banco Central, a taxa neutra real estaria entre 5% e 5,5%. Isso indica uma Selic entre 9,3% e 9,8% ao ano, conforme projeções de IPCA para os próximos 12 meses.
Analistas divergem: há quem estime taxa neutra real acima de 6%, o que implicaria Selic acima de 10% ao ano. Tais números não incorporam plenamente o cenário de ressaca descrito.
A expectativa é de que o efeito de 2027 seja marcante, especialmente após o ciclo eleitoral. Em democracias, pleitos costumam envolver impulsos fiscais que afetam demanda e crédito.
No conjunto, a literatura sugere efeito negativo da ressaca sobre o ritmo do crédito e da atividade econômica, com impactos possíveis sobre o custo de financiamento.
Fontes dos estudos citados permanecem em análises académicas e bancos centrais. O debate envolve projeções de política econômica, crédito ao consumidor e estabilidade financeira.
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