O setor imobiliário mantém o ritmo de crescimento, mas enfrenta aperto de caixa. Em 2026, o maior gargalo não está apenas no canteiro, e sim no fluxo de caixa. Construtoras e incorporadoras seguem contratando e avançando em projetos, ainda que com condições de crédito mais restritas.
Entre janeiro e abril, foram criadas 143.547 vagas formais no setor, resultado 19% superior ao mesmo período de 2025. O total de trabalhadores com carteira assinada já passa de 3 milhões. A atividade aumenta, mas o capital de giro aperta o passo.
Dados da pesquisa da CNI, em parceria com a CBIC, indicam pressão sobre insumos e crédito. O indicador de preços de insumos ficou em 68,4 pontos no 1º trimestre, o acesso ao crédito em 37,7 e a satisfação com o lucro operacional em 41,3 pontos. A produção cresce, mas a margem fica sob tensão.
A dinâmica de fluxo financeiro de uma obra é assimétrica: desembolsos intensos, janelas de menor entrada de receita e competição por caixa entre empreendimentos. Quando o financiamento não acompanha esse ciclo, o ajuste financeiro ocorre dentro da empresa com impactos na continuidade dos projetos.
> A construção civil tem um ritmo próprio, e o crédito precisa acompanhar esse ritmo. Quando o financiamento não conversa com o ciclo da obra, ele deixa de ser solução e passa a gerar pressão adicional no caixa, afirma Volnei Eyng, CEO da Multiplike.
Nova política de crédito para o setor
Nesse cenário, a Multiplike lança uma nova política de crédito voltada a loteadoras, construtoras e incorporadoras. A expectativa é ampliar 30% o volume de operações de crédito para o segmento. A ideia é distribuir o financiamento conforme as fases do empreendimento, não apenas concentrar a liberação em momentos críticos.
A proposta inclui capital para execução da obra, reforço de caixa durante o projeto e antecipação de valores de vendas já realizadas. As estruturas visam alinhar entrada e saída de recursos, facilitando a gestão de várias SPEs ao mesmo tempo.
Segundo o CEO da Multiplike, a mudança consiste em tratar o crédito como ferramenta de planejamento, não apenas como resposta emergencial. O objetivo é manter cronogramas, preservar margens e evitar que a falta de liquidez afete outros projetos em andamento.
> A proposta parte do entendimento de alinhar o crédito à realidade operacional das empresas. A construtora precisa de capital no tempo da obra, não apenas no tempo do banco, afirma Eyng.
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