A B3 estuda mudar a metodologia do Ibovespa, com possível inclusão de BDRs e cobrança de taxa sobre fundos que usam o índice como benchmark. A informação foi apresentada por Luiz Masagão, vice-presidente de produtos e clientes da B3, ao Brazil Journal.
Segundo Masagão, o objetivo é adotar uma metodologia mais moderna que represente melhor o mercado brasileiro. A linha de frente das discussões envolve comparação com índices internacionais e um aperfeiçoamento da refletividade do índice.
As mudanças vêm sendo discutidas há meses em reuniões com o mercado, mas ainda não há formato final e o tema deve passar por consulta pública. A B3 busca alinhar o Ibovespa a práticas globais, sem confirmar prazos.
Possíveis mudanças no Ibovespa
Uma das opções em estudo é incluir os BDRs no índice, ampliando o alcance para refletir empresas com atuação relevante no Brasil, como Nubank e Mercado Livre, mesmo que não tenham listagem na B3. A proposta enfrenta ajustes regulatórios.
Masagão apontou que a inclusão dos BDRs é complexa, pois fundos de pensão têm limites para investir nesses ativos. A B3 já mantém diálogo com reguladores sobre o tema.
Outra crítica ao Ibovespa é a concentração setorial e o foco no passado. Executivos próximos às discussões destacam a necessidade de representar melhor o ritmo atual da economia. O índice atual utiliza critérios de liquidez e peso pelo free float.
Custos e governança
Paralelamente às mudanças de metodologia, a B3 avalia cobrar das gestoras que utilizam o Ibovespa como benchmark em seus fundos. Hoje, a cobrança ocorre apenas em ETFs. A cobrança poderia criar receita estável para a bolsa, com base em práticas internacionais.
A governança do Ibovespa deve ficar sob a direção de Christian Egan, com o desenho final ainda em aberto. A B3 trabalha para equilibrar a representatividade do índice com requisitos regulatórios e de mercado.
Entre na conversa da comunidade