O corte de aproximadamente 35% no preço do Mounjaro no Brasil deve representar um desafio de curto prazo para as redes de farmácias, segundo o Santander. A redução acompanha a medida da Eli Lilly para obesidade e diabetes.
Segundo o analista Lucas Esteves, a decisão envolve também novas versões do Ozempic no mercado brasileiro e pode impactar resultados do setor. O desconto foi anunciado pela fabricante na última semana.
Para novos usuários cadastrados, o combo de canetas de 2,5 mg e 5 mg passou de cerca de R$ 3.400 para R$ 2.250. Consumidores recorrentes também podem se beneficiar com o tempo.
Impacto esperado no varejo
O Mounjaro representa aproximadamente 80% das vendas da categoria GLP-1, o que amplia a pressão sobre redes de farmácias. O Santander estima impacto negativo de cerca de 3% na receita de varejistas farmacêuticas em 2026, se o volume permanecer estável.
No pior cenário, com repasse total da redução ao cliente e volumes estáveis, o lucro líquido de redes como RD Saúde e Pague Menos poderia recuar 12% e 15%, respectivamente.
A EMS lança um análogo da semaglutida no país, com preços a partir de R$ 452, cerca de 44% inferiores ao Ozempic da Novo Nordisk. O efeito deve ser limitado no curto prazo, já que o segmento representa cerca de 20% das vendas GLP-1.
Ainda assim, o analista aponta potencial para margens melhores no longo prazo com novas moléculas para obesidade e diabetes, bem como o envelhecimento populacional e maior adesão a tratamentos crônicos.
No curto prazo, não há catalisadores claros para ações das varejistas, segundo o Santander. A instituição mantém recomendação de compra para RD Saúde e Pague Menos, com alvos de R$ 27 e R$ 8, respectivamente.
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