A possibilidade de aumento nas vendas de gás da Argentina ao Brasil depende do El Niño. Segundo um representante da OLACDE, as exportações podem crescer na primavera do Hemisfério Sul devido ao fenômeno climático. A informação foi dada à Reuters.
Um El Niño intenso poderia elevar a frequência e a intensidade das chuvas na Argentina, ampliando o aproveitamento das usinas hidrelétricas. No oeste brasileiro, porém, o cenário tende a piorar com secas, elevando a demanda por gás natural nas térmicas.
É provável que o Brasil passe a precisar mais gás natural, enquanto a Argentina, afetada pelo El Niño no rio Paraná, apresente excedentes exportáveis, afirmou Guido Maiulini, chefe de assessoria estratégica da OLACDE.
A OLACDE é uma organização regional com 27 países membros, que acompanha o setor de energia na região. Maiulini não estimou quanto as vendas poderiam aumentar.
No ano passado, pela primeira vez, a Argentina exportou gás de Vaca Muerta para o Brasil via gasodutos bolivianos, segundo a OLACDE. A operação marcou uma mudança significativa no comércio de energia regional.
Mercado regional de gás
A Argentina tem a segunda maior reserva de gás não convencional do mundo, em Vaca Muerta, no oeste do país. A OLACDE aponta potencial para maior integração regional, impulsionada pela oferta não convencional e pela demanda não atendida.
Para ampliar o comércio regional, a OLACDE estima investimento de cerca de US$ 18 bilhões em infraestrutura nos países da região, incluindo um gasoduto Santa Fe (Argentina) a Porto Alegre (Brasil) e adaptações na ligação argentina com a Bolívia.
A Argentina negocia novos acordos de exportação de gás com o Brasil, com uso de gasodutos já existentes na Bolívia, segundo Maiulini.
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