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Juros elevados freiam inovação e prejudicam indústria de transformação

Selic a 14,25% freia inovação; indústria de transformação perde espaço no PIB e reduz investimento em pesquisa e desenvolvimento

Indústria de alimentos (Foto: Arno Senoner/Unsplash)
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Com a Selic a 14,25%, o Brasil registra juros reais elevados e o crédito fica menos atrativo para a indústria de transformação. O cenário freia o investimento produtivo e alimenta dúvidas sobre inovação, produtividade e competitividade.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram queda na participação da indústria de transformação no PIB: de 35,9% em 1985 para 15,2% em 2023 e 10,8% em 2024. A posição do país no ranking global também diminui.

Atual posição brasileira entre as maiores indústrias é o 15º lugar, com 1,28% da produção mundial. A China lidera com 30,45%, seguida pelos Estados Unidos, Japão e outros. A atração de investimento fica condicionada pela rentabilidade do setor.

Impacto na expansão e no financiamento

Especialistas destacam que operações fabris tornam-se menos rentáveis frente a aplicações financeiras com rendimento alto. O economista Beny Fard aponta que o EBITDA próximo de 15% contrasta com a renda fixa a 14%, elevando a percepção de risco e desincentivando reinvestimentos.

Segundo Fard, a menor liquidez eleva pedidos de recuperação judicial, já que bancos endurecem a concessão de crédito. Garantias reais passaram a exigir até 110% do valor, tornando menos comum o crédito com aval tradicional.

A explosão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) é apontada como resposta para adiantar recebíveis. O objetivo é manter caixa em meio ao aperto de liquidez no setor produtivo, segundo o especialista.

Efeito no consumo e na inovação

Stefano Pacini, da FGV Ibre, afirma que a política monetária restritiva atinge a indústria duas frentes: reduz o consumo de bens duráveis e adia aquisições de maquinário e modernização. Itens duráveis, semiduráveis e não duráveis sentem o maior impacto.

Pacini ressalta ainda que o investimento produtivo fica limitado pela taxa de juros elevada. A indústria atua principalmente no mercado interno, com pouca competitividade externa, salvo exceções como Embraer, agronegócio e celulose.

Historicamente, a transformação concentra 62,4% do investimento empresarial em P&D no Brasil. Com o investimento total em P&D em torno de 1,0% a 1,5% do PIB, o desenvolvimento tecnológico fica comprometido pela escassez de recursos.

Universidades e o ecossistema de pesquisa também sofrem. O ranking Global 2000 de 2026 aponta queda de posição de 87% das 52 universidades brasileiras avaliadas, reflexo do desaquecimento da indústria e de orçamentos mais restritos.

Olhar para o exterior como saída

Especialistas sugerem que a saída está na visão de longo prazo e no mercado externo, com foco no nearshoring e exportação de itens com maior valor agregado. A reconfiguração global favorece o Brasil, que possui recursos naturais e capacidade industrial para atender o mundo.

Beny Fard destaca a importância de acordos comerciais, como o recente acordo entre Mercosul e União Europeia, para posicionar o país como protagonista global, reduzindo a dependência de um mercado doméstico regulado por juros elevados.

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