O estudo da Confederação Nacional da Indústria aponta que a redução da jornada de trabalho pode impactar 97% das indústrias brasileiras. O levantamento, feito com 1.300 empresas dos setores extrativo, transformação e construção, mostra que 85% adotam uma semana de 44 horas e 85% preveem aumento de custos com empregados.
A pesquisa indica ainda que 82% esperam alta nos custos com fornecedores, 70% projetam perda de competitividade e 68% estimam queda no volume de produção. O debate sobre produtividade ganha fôlego diante desses números.
Rigidez trabalhista e produtividade
José Ronaldo Souza, professor de Economia do Ibmec-RJ, afirma que a produtividade brasileira está praticamente estagnada desde a década de 1980. Ele explica que produtividade é o crescimento acima dos investimentos e da força de trabalho.
Para o economista, a rigidez do mercado de trabalho explica parte do baixo desempenho, aliado a falhas como educação, formação profissional, sistema tributário e insegurança regulatória. A redução da jornada sem ganhos prévios de produtividade é questionada por ele.
Segundo Souza, para reduzir a carga de trabalho é essencial aumentar a produtividade. Ele cita que nem França proíbe o trabalho em seis dias por conta de leis flexíveis e avalia que ganhos salariais sustentáveis dependem do crescimento produtivo, e não apenas de mudanças na legislação.
Implicações e desdobramentos
O professor alerta que mudanças recentes podem elevar a informalidade e a judicialização das relações de trabalho, elevando custos e reduzindo investimentos. A projeção é de que diretrizes mais rígidas ou mais flexíveis, sem melhoria de produtividade, não gerem ganhos de renda estáveis.
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