Durante três dias de junho, em Bento Gonçalves (RS), 91 jurados de nove países avaliaram 1.127 amostras de vinhos no Brazil Wine Challenge. O objetivo era julgar sem rótulos, preços ou procedência, apenas pela qualidade da bebida.
O concurso é reconhecido pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) como único no Brasil com esse credenciamento. Com isso, uma medalha conquistada no Brasil tem peso equivalente a premiações em Paris, Nova York ou Tóquio, segundo organizadores.
A edição mais recente teve a participação de 19 países. Os vinhos passaram por uma avaliação às cegas, com apenas informações de categoria, safra e código. O procedimento evita influências de imagem ou mercado.
Panorama do evento
Entre os avaliadores, Gabriela Zimmer, uruguaia de referência na crítica sul-americana, descreve o momento como sinal de crescimento do Brasil no cenário global do vinho. Ela atua na avaliação para o relatório anual de Tim Atkin.
A organização ressalta que o anonimato é essencial para manter o foco apenas na qualidade. A cor da garrafa ou o preço não interferem na pontuação final.
Ao longo das sessões, o presidente de mesa anuncia a qualificação mais alta com o termo grande ouro. O público acompanha, mas sem saber qual garrafa recebeu o reconhecimento naquele instante.
Dados principais
A mesa de avaliação liderada por Ricardo Morari, da Cooperativa Vinícola Garibaldi, examinou cerca de quarenta vinhos por manhã. Em três dias, houve apenas uma desclassificação, relacionada a acidez volátil de um tinto da safra 2015.
Segundo Morari, a qualidade hoje é requisito, não diferencial, no cenário de degustação profissional. O processo envolve o controle rigoroso de temperatura e a logística de mais de 5.600 taças.
Resultados e impactos
Ao final, foram distribuídas 375 medalhas, das quais 241 ficaram com vinhos brasileiros, incluindo 28 grandes ouros. Para Mário Lucas Ieggli, presidente da ABE, o maior efeito ocorre no mercado: as medalhas aceleram vendas e ajudam consumidores na escolha entre inúmeros rótulos.
O evento também evidencia a evolução geográfica da produção nacional, com maior participação de vinhos do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Jurados e especialistas destacam o papel dos espumantes brasileiros no cenário internacional.
Considerações finais do setor
Especialistas estrangeiros destacaram a qualidade dos espumantes locais, reforçando a identidade brasileira nesse segmento. O Brazil Wine Challenge funciona como termômetro da maturidade do vinho brasileiro, medido por degustações às cegas.
O prêmio, sob as regras da OIV, traduz a credibilidade de uma avaliação global, evidenciando que o vinho que chega à taça é o único protagonista do processo.
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