O Ibovespa registrou a quarta queda consecutiva e fechou abaixo dos 170 mil pontos nesta quinta-feira (29), com recuo de 1,06%, aos 169.186,42 pontos. As ações do Bradesco estiveram entre as principais pressões de baixa, após avaliações negativas de analistas, assim como as da Ambev, após a divulgação de seu resultado trimestral.
O Ibovespa oscilou entre 168.765,35 e 171.402,97 pontos durante o dia, com volume financeiro negociado de R$ 42,31 bilhões. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo, investidores aguardam definições sobre os rumos da economia brasileira, especialmente na área fiscal. Dados de inflação nos Estados Unidos também influenciaram o pregão.
Segundo Luciano França, gestor de renda variável da Paramis Avantgard, após o “choque” de segunda-feira, o mercado passou a diferenciar empresas mais dependentes dos juros domésticos daquelas beneficiadas pela receita em dólar. As quedas seguem concentradas em companhias alavancadas e sensíveis ao crédito, enquanto exportadoras apresentam maior resistência.
França destacou que a alta dos juros de longo prazo reflete preocupações com a trajetória fiscal.
“Enquanto não houver nomes para a equipe econômica e uma medida concreta de gastos, esse prêmio tende a ficar no preço”, afirmou.
Dados do Banco Central mostraram que a dívida pública bruta atingiu 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, maior nível em mais de cinco anos. A dívida líquida subiu de 69,3% para 70% no mesmo período.
+Dívida pública federal sobe 0,97% em setembro e chega a R$ 9,38 trilhões
Petróleo recua com expectativa de negociações entre EUA e Irã
Também nesta quinta-feira (29), os preços do petróleo fecharam em queda, em meio às expectativas de negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, apesar dos temores de interrupções no abastecimento do Oriente Médio.
O barril do Brent recuou 0,38%, a US$ 114,88, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) caiu 0,76%, a US$ 102. Ambos chegaram a perder mais de US$ 2 por barril no início do pregão, antes de recuperar parte das perdas.
Segundo o Wall Street Journal, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, tentou reativar as negociações enviando uma carta a Mohsen Rezaei, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Mediadores do Catar também apresentaram uma proposta para encerrar o conflito, mas ela foi rejeitada por uma autoridade iraniana.
“Os preços do petróleo estão sob pressão hoje em meio a novos esforços diplomáticos para amenizar o conflito no Oriente Médio”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS.
Por outro lado, notícias de ataques contra a Saudi Aramco e preocupações com a segurança regional limitaram as perdas. As petrolíferas ExxonMobil e Chevron cancelaram a participação de executivos em uma feira nos Emirados Árabes Unidos, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
(Com informações da Reuters)
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