A dívida pública federal do Brasil subiu 0,97% em setembro em relação a agosto e chegou a R$ 9,383 trilhões, informou nesta quinta-feira (29) o Tesouro Nacional. Segundo o órgão, a alta reflete principalmente os gastos do governo com juros.
A dívida interna, formada pelos títulos do governo vendidos no mercado, somou R$ 9,037 trilhões, com alta de 1,04%. Já a dívida externa caiu 0,82%, para R$ 345,41 bilhões.
No mês, o governo incorporou à dívida interna R$ 89,29 bilhões em juros. Além disso, vendeu R$ 3,78 bilhões a mais em títulos do que resgatou.
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Dívida bruta no maior nível desde 2021
Também nesta quinta-feira, o Banco Central informou que a dívida bruta do Brasil chegou a 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, ante 82,87% em agosto. É o maior nível desde março de 2021, quando a dívida chegou a 85,10% do PIB por causa dos gastos do governo no combate à pandemia de Covid-19.
Segundo o BC, a alta também reflete os gastos com juros. Por outro lado, o crescimento da economia e o resgate de títulos pelo Tesouro ajudaram a conter o aumento. Já a dívida líquida do setor público, que desconta os ativos do governo, como as reservas internacionais, subiu de 69,3% para 70% do PIB.
Em setembro, o setor público registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões, ou seja, gastou mais do que arrecadou, sem contar os juros da dívida. O resultado foi pior que o esperado: segundo pesquisa da Reuters, os economistas previam um superávit de R$ 0,5 bilhão.
O governo central teve superávit de R$ 3,5 bilhões. No entanto, estados e municípios tiveram déficit de R$ 5,6 bilhões, e as estatais, de R$ 3,4 bilhões.
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Custo da dívida
Segundo o Tesouro, o custo médio da dívida federal acumulado em 12 meses subiu de 12,59% para 12,63% ao ano. Por outro lado, o custo dos novos títulos emitidos pelo governo caiu levemente, de 13,96% para 13,89% ao ano.
O Tesouro afirmou que setembro foi marcado por maior aversão ao risco no mercado internacional, por causa da alta dos juros nos Estados Unidos e em outras economias avançadas e da guerra no Oriente Médio. No Brasil, porém, os juros futuros caíram no mês anterior à eleição, com o corte da taxa Selic e sinais de desaceleração da economia.
A participação dos títulos atrelados à Selic, que costumam ser procurados pelos investidores em momentos de instabilidade, caiu de 52,7% para 51,6% da dívida federal. O plano do Tesouro prevê que esses títulos representem entre 49% e 53% do total neste ano. O governo ampliou essa faixa por causa da incerteza provocada pela guerra no Irã.
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