O Ibovespa acumulou uma queda de 18,12% nesta semana, a maior perda semanal desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Nesta sexta-feira (30), o principal índice da bolsa brasileira caiu 0,75% e fechou aos 167.921 pontos. Foi o quinto pregão seguido de queda desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25).
No mesmo período, o dólar subiu 9,15%, a maior alta semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. Nesta sexta, a moeda americana avançou 1,09% e fechou a R$ 5,446, o maior valor de fechamento de 2026.
Na segunda-feira, a moeda americana subiu 8,36%, e, ao longo da semana, continuou em alta. Nesta sexta, chegou a R$ 5,463 na máxima do dia, por volta das 16h, antes de perder parte da alta. No ano, o dólar passou a acumular uma valorização de 0,81%.
Com isso, outubro terminou com uma queda de 9,88% no Ibovespa, a maior perda mensal desde junho de 2022, e com uma alta de 5,27% no dólar.
Cinco dias de queda
A maior parte da perda da bolsa ocorreu logo no primeiro pregão depois da eleição. Na segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88%, a maior queda em um dia desde 2020. Naquele dia, a B3 chegou a suspender as negociações por 30 minutos logo na abertura. Depois, o índice recuou mais 0,51% na terça (27), 2,68% na quarta (28) e 1,06% na quinta (29), quando fechou abaixo dos 170 mil pontos.
A queda reverte a alta das semanas anteriores. No início de outubro, o Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos, depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderou o primeiro turno. Segundo analistas, os investidores apostavam na vitória dele e em uma mudança na política para as contas públicas.
“O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal… Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez”, afirmou Nicolas Gass, sócio da GT Capital.
Saída de estrangeiros
Os investidores estrangeiros também retiraram dinheiro da bolsa. Segundo a B3, a saída chegou a quase R$ 7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana. Ainda assim, o saldo de outubro segue positivo, em cerca de R$ 8,6 bilhões, e o do ano, em quase R$ 36 bilhões. No primeiro pregão depois do primeiro turno, por exemplo, os estrangeiros haviam aplicado R$ 10 bilhões na bolsa.
Para Gass, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudanças nas contas públicas. Com isso, segundo ele, os juros de longo prazo sobem, e fica mais difícil o Banco Central cortar a taxa Selic. Na quinta-feira, o Banco Central informou que a dívida bruta do Brasil chegou a 82,93% do PIB em setembro, o maior nível desde 2021.
(Com informações da Reuters e da Agência Brasil)
Entre na conversa da comunidade