Capiau é um botequim carioca que se diferencia pela cozinha caipira, com uma porteira à vista e um fogão a lenha na pequena cozinha aberta ao público. Raphael Vidal, curador da casa, trouxe o chef Diego Melão, torresmeiro da Mantiqueira, para a proposta.
A dupla dirige o Capiau como uma cozinha de essência brasileira, não apenas uma encenação de restaurante raiz. Vidal é reconhecido pela revitalização de espaços de comida simples, enquanto Melão utiliza técnica caipira de ponta a ponta.
O que chamou atenção foi o cardápio, que privilegia insumos de pequenos produtores na medida em que há disponibilidade. Em locais como esse, o ditado tem, mas acabou costuma marcar presença no dia a dia.
A carta mostra opções de tira-gostos que, dependendo da chegada de itens, ficam indisponíveis. O torresmo, por exemplo, não estava disponível, assim como a sardinha na lenha e o pé de porco caramelizado. Apenas a batata frita ficou como opção estável.
Para além das entradas, há sanduíches que, em certa ocasião, não constavam no preparo do dia. Mesmo assim, duas versões de bochechas chegaram à mesa, com cocção lenta e pão de fubá macio, mantendo a identidade caipira.
Os pratos principais aparecem à la carte ou em “pratos feitos” cuja composição varia conforme o dia. Na rodada, frango caipira com arroz, feijão-manteiga, maxixe, cenoura e angu foi servido por R$ 42, enquanto a linguiça, conservada em lata, também compunha o conjunto.
Acompanhamentos aparecem mornos, o que interferiu na percepção de sabor de alguns itens. O feijão veio sem maxixe e cenoura, porque essa versão já havia acabado; outro dia, o conjunto pode se apresentar de modo diferente.
Para sobremesa, o pudim da mesa ao lado chamou a atenção: sem furinhos, com calda cítrica de limão e laranja, custando R$ 15. O prato foi destacado como boa opção de fechamento da refeição, com equilíbrio entre doce e fruta.
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