Análise de Turner e Constable
O livro Turner & Constable: Art, Life, Landscape, de Nicola Moorby, examina as trajetórias de dois ícones da pintura britânica do século XIX. Publicado no ano do 250º aniversário de Turner, a obra analisa as influências mútuas e as diferenças entre os artistas, que nasceram com apenas 14 meses de diferença.
Moorby, curadora de arte britânica no Tate, apresenta uma abordagem temática que permite uma comparação equilibrada entre Turner e Constable. O livro destaca como cada artista abordou suas paisagens, com Turner criando narrativas grandiosas e Constable focando em locais de significado pessoal. A autora também revisita críticas contemporâneas, como a de Robert Hunt, que em 1819 notou que Constable carecia da “poesia da Natureza” que caracterizava Turner.
Conflitos e Reconhecimento
A obra também documenta os encontros entre os dois artistas, revelando que Turner raramente comentava sobre Constable, enquanto este expressava suas opiniões, muitas vezes com ciúmes. Dois momentos marcantes são destacados: em 1831, Constable posicionou sua obra Salisbury Cathedral from the Meadows entre as de Turner, e em 1832, Turner alterou uma de suas pinturas em resposta a Constable.
Embora frequentemente vistos como opostos em termos de sucesso, o livro de Moorby mostra que Constable teve reconhecimento significativo em sua carreira, especialmente após a premiação de The Hay Wain no Salão de Paris de 1824. Por outro lado, Turner, apesar de suas viagens pela Europa, não recebeu a mesma atenção internacional.
Insights e Conclusões
Moorby também revela a astúcia comercial de Turner, que maximizava seus lucros com suas obras, enquanto Constable enfrentava dificuldades financeiras. A autora utiliza pesquisas de campo para enriquecer a narrativa, como ao explorar a história de sua família e o impacto de sua vida pessoal em sua arte.
O livro conclui com uma análise sobre como ambos os artistas são representados nas instituições que preservam suas obras. A exposição Turner’s Kingdom: Beauty, Birds and Beasts, em Turner’s House, destaca a beleza das aquarelas de Turner, que, segundo Moorby, seriam apreciadas por Constable.
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